O Município de Mondim de Basto veio agora a público garantir que concluirá a reabilitação do “Edifício São Tiago”, propondo-se, para o efeito, desenvolver a partir de agora o respetivo concurso público.
O edifício inacabado da Avenida Augusto Brito, no centro da vila, conhecido popularmente como “hotel das rãs”, transformou-se num dos símbolos mais curiosos do concelho, tendo sido adquirido recentemente pelo município.
Tendo começado a ser construído nas últimas décadas do século XX, com a ambição de reforçar a oferta turística da região, aproveitando a proximidade à Serra do Alvão e ao potencial ambiental e paisagístico da localidade, o edifício acabou por ver a obra interrompida, por dificuldades financeiras consequentes das mudanças de contexto económico.
Com o passar dos anos, o edifício degradou-se e a natureza reclamou o espaço: a água acumulada nas estruturas inacabadas tornou-se “habitat” para rãs e outros anfíbios, dando origem ao nome pelo qual viria a ser conhecido entre os habitantes locais.
Mais do que um simples prédio devoluto, o “hotel das rãs” passou a representar um exemplo visível de projetos turísticos que ficaram pelo caminho, sendo frequentemente citado em conversas, reportagens e memórias coletivas como um símbolo de oportunidades perdidas.
Foi neste contexto que o município encontrou recentemente uma saída para o que permanecia estrutural do imóvel, adquirindo-o e candidatando-o a financiamento do programa “1.º Direito” e do PRR através de um projeto para a sua transformação em 18 habitações familiares para arrendamento apoiado.
A consignação desse projeto à empresa “Crismaga, SA”, de Amarante, aconteceu a 23 de abril de 2024, tendo a obra começado algum tempo depois, até ser novamente interrompida em meados de 2026 e declarada a sua insolvência em agosto desse ano.
«A declaração de insolvência determinou objetivamente a impossibilidade de execução do contrato de empreitada e, consequentemente, a sua resolução, deixando a obra no estado físico atual», explica o município mondinense, que se considera «absolutamente alheio à situação», prometendo que, «paralelamente às diversas entidades igualmente prejudicadas, irá reivindicar e defender os legítimos interesses do município no seio do processo de insolvência».
O município presidido por Bruno Ferreira diz ter colocado o assunto ao Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana – entidade que gere o financiamento em causa –, tendo sido então desencadeados «todos os procedimentos de readaptação do projeto à nova situação». «Posteriormente, iremos proceder a novo procedimento de contratação, por concurso público», diz, sem adiantar, contudo, que alterações estão a ser feitas ao projeto.
As empresas contratadas pela sociedade declarada insolvente, com autorização do Administrador da Insolvência, estão, entretanto, a recolher bens e equipamentos da falida empresa que se encontravam empenhados na obra, tal como estava a acontecer na manhã desta quarta-feira (28).
Junto dessas empresas – adianta uma nota municipal — foi possível acordar a permanência dos «bens e equipamentos imprescindíveis à manutenção da estabilidade e segurança do edifício até à contratação de nova entidade para terminar a empreitada».
O Município de Mondim de Basto garante, entretanto, «as condições de vedação do edifício e da sua envolvência», reafirmando «a garantia de empenho e dedicação redobrados na resolução deste problema adicional e na conclusão deste projeto de relevância económica e social inegável». [JPM].






