«É preciso encontrar, por vezes, um lugar de paz para se poder ouvir o som das nossas origens mais profundas». É essa a história da antropóloga e autora Luísa M. Teixeira, natural do Douro, que encontrou na harmonia e no equilíbrio das Terras de Basto «o refúgio perfeito» para escrever o seu novo livro “Socas no Chão. Estrelas na Alma – Uma homenagem à Mulher Duriense”, obra que «é, em si mesma, uma viagem de regresso a casa».
Foi em Basto, «num lugar conhecido pelos antigos como paraíso, com o Alvão e o Marão no horizonte, o murmúrio do ribeirinho e a presença silenciosa de um antigo moinho» ao seu lado, que a autora – ilustre colaboradora do Terras de Basto – encontrou a inspiração para delinear a obra.
Nas Terras de Basto, região de profundo património religioso, «o som dos sinos tem um poder ancestral», sendo a voz da comunidade, o chamamento para a fé e o elo sonoro que une o chão à alma», a mesma ligação que o livro procura explorar.
O livro – que é apresentado publicamente a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 15h00, no Centro Recreativo e Cultural do Castedo, em Castedo do Douro-Alijó – é um elogio à mulher duriense. A sua génese em Terras de Basto revela «uma verdade mais profunda»: «foi a tranquilidade e harmonia desta região de acolhimento, com a sua paisagem e os seus sons sagrados, que lhe deu a clareza para celebrar a força da sua terra-mãe», conta ao Terras de Basto.
O elo de ligação entre as duas geografias da sua vida é um símbolo que ressoa em ambas as paisagens: as socas. O calçado que marcou os passos da sua infância duriense – o som da terra – é aqui reinterpretado como «um emblema universal de resiliência e autenticidade». É «o perfeito contraponto ao “som do céu”, o dos sinos», que a inspirou em Terras de Basto.
Foi nesta «encantadora região» que a autora encontrou o espaço para a reflexão que dá alma ao livro. Nas suas palavras, a obra é um apelo ao essencial: «refleti sobre a intensidade, a resiliência e a sabedoria ancestral do meu Douro natal, que se manifesta em cada gesto, em cada palavra e em cada olhar. A força interior nutria as almas das mulheres durienses e guiava os seus passos. Hoje, vivemos tempos de velocidade e de superficialidade, em que parece que esquecemos essa sabedoria. Contudo, a memória persiste, tal como as raízes firmes das videiras que se agarram ao xisto. Nas socas, que simbolizam a resistência das mulheres durienses, aprendemos uma lição atemporal: a verdadeira força não está na posse, no poder ou na fama, mas na simplicidade, na humildade e na conexão com a essência da vida. Este livro honra as mulheres que me antecederam e o saber que sustenta a nossa identidade».
“Socas no Chão. Estrelas na Alma” é, assim, o fruto de um olhar único: o de «alguém que conhece o Douro em profundidade e o contempla, agora, com a paz e a perspetiva que a serenidade das Terras de Basto lhe ofereceu».
O lançamento da obra – admite Luísa Teixeira – representa a celebração desta ligação afetiva e cultural, um momento para «honrar a alma partilhada que moldou as gentes do Norte». A sessão está aberta a toda a comunidade e deixa no ar uma das mensagens centrais da obra, um convite a um novo olhar.
«Este livro nasce com o propósito de resgatar a sabedoria da Mulher do Douro e torná-la acessível a todas as mulheres numa época tão desafiante. Que este livro se torne um conselheiro valioso e uma fonte de inspiração constante», deseja a antropóloga.
«Quando olharem para uma soca antiga, não vejam madeira, mas sim memória; não vejam desgaste, mas sim força; não vejam pobreza, mas sim consciência», exorta a autora, que honra o Terras de Basto com a sua escrita.





