A Plataforma Lobo Ibérico defende que a coexistência com o lobo exige uma estratégia de conservação assente no conhecimento científico, que oriente políticas públicas eficazes, e num maior apoio à pecuária extensiva.
A Plataforma diz que, nos últimos dias, a discussão pública sobre a proteção do lobo-ibérico em Portugal tem «oscilado entre factos imprecisos e reivindicações legítimas» e defendeu que a coexistência com o lobo «deverá sempre assentar em estratégias eficazes e em políticas coerentes, ponderadas e equilibradas, que promovam a preservação da espécie e a sustentabilidade da pecuária extensiva».
O debate sobre a espécie protegida em Portugal foi lançado pela criação do movimento União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo (UPGALL), alargado à Galiza, que quer acabar com a proteção ao lobo em consequência de ataques aos rebanhos.
A missão da plataforma “loboiberico.pt” é melhorar o conhecimento da sociedade sobre esta espécie e sobre as formas de coexistência e, por isso, em comunicado citado pela agência Lusa, diz que quer contribuir para o esclarecimento.
Segundo adianta, atualmente, o lobo-ibérico em Portugal está circunscrito à região Norte, ocupando 20% da área de ocorrência da espécie no início do século XX.
O Censo Nacional do Lobo (2019/21) revelou uma tendência negativa, com uma redução de 23% na área de presença e de 8% no número de alcateias, em comparação com o último censo realizado em 2002-2003.
A plataforma diz que esta situação contrasta com a recuperação verificada em vários países europeus, inclusive em Espanha, onde o censo de 2021/24 registou um aumento de 12% no número de alcateias.
Em Portugal, verificou-se, um aumento do número de alcateias no Noroeste do país em resultado de um processo natural de dispersão de lobos provenientes de alcateias vizinhas e do desaparecimento de outras na restante área de distribuição.
«Nas regiões montanhosas do Norte, onde o lobo ainda persiste, a pecuária extensiva tem uma grande importância socioeconómica, sendo crucial implementar medidas eficazes que promovam a coexistência», defendeu.
Contudo, segundo a plataforma, o sistema de compensação de prejuízos nos animais domésticos, atribuídos ao lobo, «continua a apresentar falhas há muito reconhecidas», designadamente «valores insuficientes, dificuldades de acesso e atrasos que ultrapassam largamente os 60 dias previstos, comprometendo a indemnização justa devida aos produtores».
Além disso, considerou que devem ser «desenvolvidas medidas específicas para os equinos em regime de liberdade, que incluam, por exemplo, a compensação indireta pelo risco de ataques e considerem os serviços ecológicos prestados».
«Por fim, é essencial simplificar o processo e assegurar a sua transparência e fiabilidade, nomeadamente através de peritagens rigorosas, garantindo que os predadores envolvidos são corretamente identificados e distinguindo a predação por lobo de mortes por causas naturais ou de ataques por cães», apontou.
Para esta organização, “a ocorrência de cães errantes é particularmente preocupante em regiões de presença ocasional do lobo, não só pelo risco de hibridação, mas também por poderem ser confundidos com lobos e pelos ataques ao gado, erradamente atribuídos ao lobo, resultando muitas vezes em conclusões precipitadas que alimentam tensões sociais e ações injustificadas».
Desde 2015 que existe um apoio financeiro à manutenção de cães de proteção do gado, no entanto a plataforma disse que «subsiste a falta de uma medida similar para a construção de vedações e outras infraestruturas de proteção», pelo que «é urgente reforçar os mecanismos de apoio financeiro, mas também de apoio técnico».
A plataforma apontou como positivos os programas “Alcateia 2025/35” e de Apoio à Redução da Carga de Combustível Através do Pastoreio, considerando que «o pastor desempenha um papel crucial no maneio e proteção do gado, facilitando a coexistência com o lobo». [Com Lusa].





