A simulação de um julgamento nas instalações do Tribunal Judicial de Celorico de Basto foi a forma encontrada pela Rede Integrada de Apoio à Vítima para chamar a atenção e sensibilizar para a grande questão social da violência doméstica.
«A simulação de um julgamento foi devidamente acompanhada e monitorizada pela juíza do Tribunal Judicial da comarca e pela procuradora Isabel Amorim, permitindo aos alunos compreender o funcionamento de um julgamento real e as emoções inerentes a cada uma das funções desempenhadas», explicou fonte da organização.
No âmbito da iniciativa, os jovens participantes foram convidados a assumir diferentes papéis no contexto judicial, nomeadamente os de vítima, arguido, testemunha, advogado, juiz e procurador.
De acordo com a fonte, a iniciativa partiu da Secção de Guimarães para a Violência Doméstica do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), uma das entidades que integra aquela rede e envolveu particularmente os alunos do 10.º ano da Escola Secundária de Celorico de Basto.
Num período de tempo particularmente crítico – em que, ao longo de 2025, pelo menos 24 mulheres foram assassinadas e se registaram mais de 25.300 ocorrências, o valor mais alto em sete ano — o “Gabinete Girassol” do Município de Celorico de Basto reforçou o seu trabalho de sensibilização junto da comunidade, iniciando, assim, 2026 com «um exercício de carácter prático e pedagógico».
Para o vereador da Ação Social no município celoricense, revela-se particularmente importante envolver os jovens, em idades particularmente decisivas, em experiências que promovam a reflexão e a consciência cívica. «É fundamental colocá-los em situações que lhes façam perceber a gravidade de um crime público, que a todos diz respeito, e que, muitas vezes, entre eles próprios, começa com brincadeiras aparentemente inofensivas, comportamentos inadequados ou observações desagradáveis», diz.
José Sousa enaltece, desta forma, o trabalho contínuo de sensibilização desenvolvido pelo “Gabinete Girassol” e alerta para a crescente necessidade de manter a comunidade desperta para esta problemática. «É necessário e urgente olhar para o problema de frente, adotando medidas e estratégias que contribuam de forma efetiva para a erradicação da violência doméstica», assume.
Recorde-se que o mesmo grupo de alunos que agora esteve envolvido já havia participado, em 2025, numa ação de sensibilização para a violência no namoro, integrada na Semana de Prevenção e Combate à Violência Doméstica.






