Segunda-feira, Janeiro 19, 2026
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Carla Lousada é capaz de assumir PS/Cabeceiras de Basto

A ex-vereadora Carla Lousada deverá assumir esta quarta-feira (3) a liderança da concelhia do Partido Socialista de Cabeceiras de Basto, por força da demissão anunciada domingo (30) pelo seu titular, Fernando Basto. A assunção da liderança por parte da “número dois” deverá acontecer durante uma reunião da comissão política concelhia, a primeira depois da derrota do partido nas autárquicas de 12 de outubro, em que perdeu a presidência dos órgãos municipais.

Embora não tenha «a cultura do partido», Lousada não deverá resistir à pressão de Fernando Basto e Francisco Alves, a dupla que, com a própria vereadora, forma o triunvirato do “bloco camarário” que traçou as políticas e as práticas socialistas dos últimos anos de governação municipal, estratégia que redundou numa divisão interna e na consequente derrota eleitoral.

A reunião desta quarta-feira à noite, na sede da Praça da República, vai decorrer «sob evidente tensão», até porque alguns dos militantes, entre eles presidentes de junta, prometem «pedir contas aos responsáveis pelo estado das coisas», designadamente a demissão de Fernando Basto «de todos os cargos que ocupa» por força da sua intervenção partidária.

Além da presidência da comissão política, o ex-vice-presidente da câmara continua a ocupar o lugar de vereador – nunca admitiu abdicar do segundo lugar na lista de candidatos autárquicos –, bem assim como a presidência de uma entidade de direito privado que se identifica próxima do poder socialista, a “Mútua de Basto”.

Os militantes mais descontentes com «o estado das coisas» lembram ainda que Fernando Basto, além de continuar a presidir à cooperativa “+Terra Verde”, tem ascendente, através da sua filha, sobre a direção da Associação de Defesa dos Interesses de Basto e, também assim, sobre o jornal para-oficial dos socialistas cabeceirenses.

«Obviamente… Se há alguém mais responsável que o Francisco [Alves] é o Fernando. Ambos traçaram o caminho que nos trouxe gradualmente para a derrota e para a oposição. Ambos andaram a encostar-se ao Jorge Machado e depois nem sequer acabaram a casar. O Fernando nunca soube ler os sinais e ambos se limitaram a desafiar o Joaquim Barreto, como se bastasse chegar às eleições com o símbolo do partido na frente», desabafa a este jornal um dos autarcas que vai estar presente, logo mais, na reunião da comissão política.

Falando num «barco à deriva» e insistindo na ideia de que «as mesmas razões que levaram [Fernando Basto] a demitir-se do partido» são justificação bastante para «que se demita da câmara e dos outros lugares que o partido lhe deu», o mesmo autarca desenha como saída provável «a entrega do partido à Carla Lousada», que, tendo em conta as suas características – diz — «daqui a pouco, quando começar a ver onde se meteu, demite-se também».

Um outro autarca ouvido pelo Terras de Basto – que pede, obviamente, reservas – diz que entregar o partido, «conforme está», a Carla Lousada é manter Fernando Basto a mandar nos destinos socialistas, desde logo porque tem ascendente sobre ela e porque «quem traça estratégias ao Fernando é a filha», ex-líder da Juventude Socialista, que tem agora como aliado o namorado, atual líder da mesma JS. «Os destinos do PS/Cabeceiras e os interesses do PS/Cabeceiras limitam-se à casa do Fernando Basto», enfatiza.

Para agudizar mais a tensão, um militante «dos antigos» traz também à colação o facto de Joaquim Teixeira, um empresário «que se passou do PS para os Independentes» de Jorge Machado estar a exercer agora – em sua opinião – forte influência sobre alguns dirigentes socialistas, tendo imposto, «por exemplo, o diretor do jornal», nomeado pela filha de Fernando Basto. «Além de ter imposto os filhos e outros familiares para as listas autárquicas, o Quim lançou uma OPA sobre o PS… Ele tem distribuído as suas peças por aí e, junto com o Fernando, dominam totalmente o PS», diz.

Uma outra achega passa ainda por «alguns funcionários» da câmara, «que estavam habituados a fazer o que lhes apetecia» e que «trabalhavam mais para quem mandava no partido do que para o município», e que correm agora riscos de, «continuando a fazer o que estão a fazer, um dia destes serem postos na rua». «E isso será mais uma vergonha para o PS», considera.

Estes e outros ingredientes fazem com que a reunião desta noite, fria, prometa aquecer toda a Praça da República, em Cabeceiras de Basto. [JPM].

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