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Parque eólico de Riodouro/Salto começa a produzir em junho

O Parque Eólico do Tâmega Norte, localizado em território de Cabeceiras de Basto e Montalegre, deverá começar a produzir energia em junho, permitindo à empresa concessionária combinar energia eólica e hídrica, num projeto considerado “pioneiro” e que funcionará em ligação com as barragens do Sistema Eletroprodutor do Tâmega.

«Pelo menos na “Iberdrola”, é um projeto pioneiro. É um sistema que combina energia eólica com a energia hidroelétrica do Sistema Eletroprodutor do Tâmega, diz David Bernardo, responsável de desenvolvimento do projeto daquele é que descrito pela empresa como «o maior parque eólico de Portugal».

David Bernardo falava aos jornalistas durante uma visita ao Parque Eólico do Tâmega Norte, que está a ser construído. «O objetivo é utilizar infraestruturas existentes, neste caso linhas de evacuação, subestações existentes, pontos de ligação à rede que já foram construídas no âmbito do SET, para poder conectar o parque eólico e, assim, ser possível evacuar energia», acrescentou.

Tal como Terras de Basto já noticiou, este é «o primeiro projeto» com conexão híbrida entre geração hidroelétrica e eólica, ficando ligado ao SET, que inclui as centrais hidroelétricas e as barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, em Ribeira de Pena. «Não há uma duplicação de infraestruturas e consequentemente há uma redução dos custos e do impacto do próprio projeto», afirmou David Bernardo.

Os dois tipos de energia têm tecnologias diferentes e vão ser combinadas, com o objetivo de «maximizar a produção». Segundo exemplificou, em alturas em que haja uma intermitência do vento, pode ser usada a energia hidroelétrica. «Elas podem-se complementar, estando limitadas até à capacidade máxima que, neste caso, é ditada pela hídrica», referiu.

O parque eólico representa um investimento de 350 milhões de euros e a empresa prevê uma produção anual de 601 gigawatts/hora (GWh). «Consegue alimentar 128 mil habitações, o que equivale à energia consumida por Guimarães e Braga, em conjunto», referiu.

Cada um dos aerogeradores tem uma potência de 7,2 megawatts (MW), com uma potência instalada no parque de 274 MW e 1.150 MW na parte hidráulica. «Mas isto não funciona em conjunto, o máximo a que estamos limitados é 1.150 MW e poderá entrar uma ou outra», concretizou.

O parque Tâmega Norte, que está em fase de montagem dos aerogeradores, vai trabalhar com a barragem de Daivões, e o Sul, que está em fase inicial (movimentos de terras, preparação de plataformas), entre Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, vai ligar a de Gouvães.

David Bernardo disse que o início da produção de energia está prevista para junho, no Parque Norte, enquanto no Parque Sul, a previsão aponta para setembro. No pico da construção, em que se juntaram os trabalhos de construção civil e a montagem dos aerogeradores, foram criados cerca de 700 postos de trabalho diretos.

Parque ainda pode crescer

O projeto inicial deste Parque Eólico propunha a instalação de 73 aerogeradores e, posteriormente, a empresa reformulou para os 60. Em março de 2023, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada ao complexo eólico e diminuiu o número de aerogeradores para os 38.

Sara Hoya, responsável pela área ambiental, disse que a empresa tem a intenção, se for possível, de ampliar este número. Este projeto, referiu, foi «desenhado quase ao milímetro» para ter a «menor afetação», tendo sido alterada a localização de alguns aerogeradores, acessos e plataformas.

É ainda preciso cumprir um conjunto de programas de monitorização contínua de sistemas ecológicos durante a construção (avifauna, flora, habitats e arqueologia), para mitigar possíveis impactos. Uma das medidas está relacionada com o lobo ibérico, sendo que, durante os meses de reprodução da espécie protegida (primavera/verão) as atividades mais ruidosas, como movimentações de terras, estão restringidas, pelo que os trabalhos decorrem essencialmente no inverno.

A responsável disse ainda que foram feitos contratos com diferentes comunidades de baldios, que recebem uma renda por aerogerador instalado nos seus terrenos, podendo também beneficiar dos acessos aos parques, enquanto os municípios beneficiam de um Fundo Ambiental em função da potência instalada.

O sistema inovador de transporte

que tem atravessado Cabeceiras

O transporte das pás de 85 metros dos aerogeradores, que estão a ser instalados no Parque Eólico do Tâmega, está a ser feito com recurso a um “blade lifter”, sistema que – conforme o Terras de Basto já explicou – permite contornar curvas apertadas e inclinações, como tem sido o caso dos acessos de Arco de Baúlhe a Riododouro ou a Salto.

«Estamos a ver a instalação de uma pá de uma eólica. É a maior pá eólica que temos, de momento, em Portugal, são 85 metros de pá. É uma operação delicada, temos de ter muito controlo do vento, da operação em si, das gruas», afirma o gestor de construção Giancarlo Pedro, que especifica que a operação demora mais de duas horas, desde a subida da pá pela grua até à sua instalação no ‘hub’, onde é preciso apertar 240 parafusos.

É uma espécie de “puzzle” gigante, um sistema modular. Os aerogeradores chegam às peças ao parque, que são depois montadas no local. A máquina tem 114 metros de altura de torre, chegando aos 199 metros com a pá na vertical. Em termos comparativos, a torre Vasco da Gama, em Lisboa, tem uma altura de 145 metros.

A torre está dividida em cinco tramos; depois a ‘nacelle’, onde está instalado o “coração do sistema” (gerador e todo o equipamento mecânico da turbina); e, por fim o ‘hub’, que acopla a ‘nacelle’ e onde encaixam as três pás. As pás vêm inteiras via Porto de Aveiro até Cabeceiras de Basto, e toda a logística de transporte obriga a uma preparação “especial e demorada”.

Até Cabeceiras de Basto, o transporte é convencional, mas depois, até Salto, a subida de 13 quilómetros é feita com recurso ao sistema “blade lifter”, um equipamento robusto, em que são fixadas as pás e que as permite rodar, na vertical ou horizontal, através de um mecanismo hidráulico onde a pá é acoplada para transporte e atinge inclinações de até ao máximo de 60 graus. É como uma espécie de elevador de pás.

Este sistema permite contornar curvas apertadas, inclinações e outros obstáculos, adaptando-se às estradas existentes. Para a sua passagem, foi necessário efetuar algumas podas de árvores e, em alguns troços, até a enterrar linhas de energia e de comunicações.

Transporte até final de março

O “blade lifter” é uma base de ancoragem da pá, instalada num camião, que é operada por uma equipa de três pessoas. Anda a cinco quilómetros/hora e o percurso demora cerca de cinco horas a ser feito. Para causar menos constrangimentos na circulação rodoviária o transporte é feito duas vezes por semana e sobem três pás de cada vez.

É também acompanhado pela GNR, os horários foram ajustados para impactar o menos possível junto das comunidades, nomeadamente, por exemplo, nos autocarros escolares e existem ainda acessos alternativos. «É uma atividade que requer todo um cuidado, tem uma equipa especializada só para trabalhar diretamente com este equipamento», salientou Giancarlo Pedro.

A expectativa, acrescenta, é que todos os transportes, de cerca de 110 pás, estejam concluídos até final de março, prevendo-se que a produção de energia eólica no Parque Norte arranque em junho. Giancarlo Pedro explicou ainda que cada aerogerador tem 7,2 megawatts de potência e que estas são máquinas de última geração.

O projeto da “Iberdrola Renewables Portugal” está dividido em dois parques: o Tâmega Norte, que está a ser construído entre Riodouro e Salto e tem 27 aerogeradores e, a cerca de 20 quilómetros de distância, o Tâmega Sul, onde vão ser montados 11 aerogeradores, entre Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar.

A hibridização das tecnologias eólica e hidroelétrica possibilita o compartilhamento da mesma infraestrutura de conexão ao sistema elétrico, reduzindo os custos e minimizando os impactos ambientais.

Segundo a empresa, permitirá também evitar mais de 230 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano, vai contribuir para a autonomia energética de Portugal e representa um «passo significativo» para alcançar os objetivos do Plano Nacional de Energia e Clima do país. [Com Lusa; imagens videográficas de “Iberdrola”].

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