Apenas a estrutura concelhia dos sociais-democratas de Cabeceiras de Basto vai mudar de líder de entre as homólogas das Terras de Basto. As eleições acontecem no próximo sábado (28) e Laura Monteiro Magalhães vai suceder, como candidata única, a André Gustavo Magalhães, um dos principais obreiros da vitória eleitoral nas autárquicas de outubro.
Embora a recente alteração dos estatutos partidários lho permitisse, André Magalhães preferiu manter a palavra de que não iria repetir a candidatura e, apesar de ter sido aventada a possibilidade de Manuel Teixeira, o atual presidente da câmara, assumir também a liderança do partido, esta foi uma hipótese que não teve sucesso entre os pares.
O presidente da secção do PSD/Cabeceiras de Basto conseguiu, assim, impor a opção que mais lhe agrada, convencendo os restantes dirigentes de que a nova liderança do partido deve ser entregue a Laura Magalhães, uma ex-deputada à Assembleia da República, que em outubro foi eleita vereadora e a quem foram destinados pelouros para um exercício a tempo inteiro, entretanto interrompido por licença de parentalidade.
André Magalhães evitou, assim, que o poder local – câmara e partido – ficasse concentrado na mesma pessoa, o que lhe faria perder a sua eventual influência junto dos sociais-democratas locais, onde pontuam já alguns históricos mais descontentes com o exercício do poder por parte de Manuel Teixeira, alguns dos quais se recusaram mesmo a integrar a candidatura que sábado vai a votos, como é o caso de José Joaquim Teixeira.
Do ponto de vista partidário, as coisas não estão a correr bem ao novel presidente da câmara, que se não contara com o apoio eleitoral de alguns dos históricos companheiros, a estes tem visto juntarem-se outros desagradados com a governação municipal, como é o caso de Francisco Martins Pacheco, Mário Leite ou Augusto João Teixeira.
Também na corrida à estrutura distrital de Braga – a única do país que conta com dois concorrentes: o incumbente Paulo Cunha, ex-autarca famalicense e agora eurodeputado, e o desafiador Carlos Eduardo Reis, vereador em Barcelos, filho do ex-autarca Fernando Reis – os apoios de Cabeceiras de Basto se apresentam desalinhados.
O Terras de Basto sabe que, embora o “establishment” local garanta apoio ao atual presidente da distrital, vários são os militantes que assumem estar com o autarca barcelense, o mesmo que no início desta semana se reuniu em Cabeceiras de Basto com o presidente da câmara e com o seu chefe de gabinete – precisamente André Magalhães – num encontro «que não correu nada bem».
Neste contexto, de entre os militantes que desalinham assumidamente da nomenclatura oficial sobressai João Sá Nogueira, filho do presidente da assembleia municipal, integrando mesmo a candidatura de Carlos Eduardo Reis.
Os restantes candidatos
Nos restantes concelhos das Terras de Basto nada de novo se perfila no horizonte, confirmando-se as recandidaturas de José Peixoto Lima, em Celorico de Basto, um dos mais influentes dirigentes no contexto distrital, apesar de representar uma pequena concelhia.
Confirmam-se igualmente as recandidaturas de Francisco Ramos, em Mondim de Basto, que continua a fazer par com o presidente da câmara, Bruno Ferreira; e de Carla Costa, em Ribeira de Pena, que, tendo sido cabeça-de-lista na candidatura autárquica, continua a liderar a oposição ao poder socialista.
Estas duas secções pertencem à distrital de Vila Real, onde apenas se apresenta a votos um candidato único: Amílcar Almeida, deputado à Assembleia da República e ex-presidente da Câmara de Valpaços.
Quanto ao alinhamento de Celorico de Basto perante os dois candidatos à distrital de Braga – em que a disputa se apresenta renhida, a avaliar pelas acusações recíprocas que se fazem ouvir na Imprensa – ele apresenta-se a favor de Paulo Cunha, que mantém grande proximidade com Peixoto Lima e com José Sousa, atual vereador, que já presidiu à secção.
Em declarações à revista “Sábado”, publicadas esta quarta-feira à noite, Peixoto Lima, fez questão de reiterar que o eurodeputado – que acompanhou vários momentos da recente campanha autárquica que lhe deu a maioria absolutíssima – «vai ter aqui uma grande vitória».
Nessas declarações, o autarca celoricense desvaloriza as acusações que alimentam a campanha interna – designadamente a dos pagamentos de quotas em massa. «O PSD sempre foi um partido com muitas disputas e divergências de opinião», diz, acrescentando que isso «não quer dizer que as pessoas se dêem mal». «O que está em causa é apenas o distrito, vejo tudo isto com normalidade», refere, considerando que o resultado eleitoral «vai ser equilibrado». [JPM].





