Terça-feira, Fevereiro 24, 2026
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Os “influencers” artificiais — nova realidade

Durante muito tempo, usámos as redes sociais sem pensar muito no que estava por detrás. Eram apenas momentos da vida de outras pessoas partilhados em fotografias ou vídeos. Com o passar do tempo, essa exposição começou a ser romantizada, criando a ideia de vidas mais felizes, mais interessantes e mais bem-sucedidas do que aquelas que fazem a realidade à nossa volta.

Ainda assim, havia uma certeza: do outro lado do ecrã existia alguém real. Hoje, até essa ideia já se perdeu. No “Instagram” e no “TikTok” surgem figuras sempre perfeitas, sempre disponíveis e sempre coerentes, mas que, na prática, não existem fora do mundo digital.

Os chamados “influencers” de inteligência artificial são criados com um único objetivo: influenciar. Não têm vida própria, não erram, não improvisam. São projetos pensados ao detalhe, com alguém por detrás – que pode ser uma pessoa, uma equipa ou uma marca – entidade que decide o que dizem, o que defendem e até a imagem que apresentam. Nalguns casos, pode até ser um homem a gravar movimentos e voz, mas a imagem final é a de uma rapariga jovem e bonita, porque isso chama mais a atenção e cria mais impacto. A identidade passa a ser construída consoante aquilo que resulta melhor.

Este fenómeno não é totalmente novo, mas tem vindo a crescer. Casos como Lil Miquela mostram que é possível criar personagens digitais com milhares ou até milhões de seguidores, parcerias com marcas e uma presença constante nas redes sociais. Para as empresas, é uma solução prática, pois não há imprevistos, polémicas ou erros.

Para quem segue estes “influencers”, apesar de artificiais, a sensação acaba por ser semelhante à dos reais. Há proximidade e presença frequente, com conteúdos diários em forma de vídeos e fotografias.

É aqui que surge a dúvida. Nunca confiámos em todos os “influencers”, mas sim naqueles com quem fomos criando alguma simpatia, através do que partilhavam e da forma como se mostravam. Existia a ideia de autenticidade. Quando tudo passa a ser planeado e controlado, essa confiança começa a perder sentido.

Mais do que uma tendência digital, estes influenciadores artificiais dizem muito sobre a sociedade em que vivemos. Mostram uma procura constante pela perfeição, pela imagem ideal e pela ausência de falhas.

No meio de tudo isto, fica claro que a forma como nos ligamos aos conteúdos nas redes sociais está a mudar. Mesmo sabendo que nem tudo é real, a proximidade e a confiança continuam a existir, o que ajuda a explicar o impacto crescente deste tipo de influência.

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