A Casa da Lã, um dos pólos culturais mais dinâmicos do Município de Cabeceiras de Basto, descentralizado na freguesia de Bucos, passou a abrir ao público dois dias por semana, tendo-lhe sido igualmente retirados os recursos humanos permanentes e a colaboração técnica especializada da “designer” Helena Cardoso.
A situação – decidida pela presidência da câmara — já havia sido denunciada pelos vereadores socialistas em sede de reunião da câmara, incidindo então na rescisão contratual com a “designer”, entidade de referência que muito contribuiu para a projeção do espaço e do trabalho ali desenvolvido.
Nesta última reunião do executivo, a 27 de março, foi Joaquim Barreto – precisamente quem instituiu aquele espaço – a tecer fortes críticas às decisões de Manuel Teixeira, considerando que a redução do horário de funcionamento para apenas dois dias por semana — terça e quinta-feira —, associada à ausência de recursos humanos permanentes e à indefinição quanto à continuidade da colaboração técnica especializada, «representa um claro retrocesso».
«É fundamental repor as condições de funcionamento adequadas, assegurar a presença técnica e humana regular, e devolver à Casa da Lã o papel que lhe compete enquanto espaço de afirmação cultural, dinamização económica e promoção turística; porque valorizar as nossas raízes é investir no nosso futuro e Cabeceiras de Basto não pode perder aquilo que melhor a identifica», defendeu o vereador.
Lembrando que o concelho «tem nas suas tradições, na sua cultura e no seu património identitário um dos seus maiores ativos», o autarca independente sublinhou que «valorizar aquilo que somos, o que herdámos e o que sabemos fazer é mais do que uma opção, é uma responsabilidade».
Foi com esse espírito – disse – que se afirmou a importância da Casa da Lã como espaço de preservação e valorização de um saber antigo ligado à identidade rural, ao trabalho dos pastores, à transformação da lã e à criatividade das mulheres de Bucos. «Este equipamento não é apenas um espaço físico; é um ponto de encontro entre tradição e inovação, entre memória e futuro», insistiu.
De acordo com Joaquim Barreto, a Casa da Lã é ainda um espaço onde o turismo cultural e o turismo de natureza «ganham expressão concreta», onde os visitantes «conhecem, valorizam e adquirem produtos genuínos, contribuindo para a economia local».
Recordou então na sua declaração que, em 2025, aquele espaço registou quase 1.300 visitantes, «um número que demonstra claramente o seu interesse e potencial». «Mas, mais do que números, são pessoas que passaram, conheceram, valorizaram e levaram consigo um pouco da identidade de Cabeceiras de Basto», realçou.
Até há pouco tempo – refira-se – este espaço funcionava com regularidade, estando aberto de segunda a sexta-feira e ao domingo à tarde, contando ainda com abertura aos sábados mediante marcação. O município garantia ali a presença diária de uma funcionária e a colaboração regular da estilista Helena Cardoso, que, desde 2010, contribuía «com conhecimento, inovação e valorização do produto».
As decisões entretanto tomadas pelo presidente da câmara significam – segundo Joaquim Barreto – «menor acessibilidade ao público, menor capacidade de atração de visitantes, menor dinamização económica e, sobretudo, menor valorização de um projeto que deveria ser estruturante na estratégia de desenvolvimento local». «Mais preocupante é ainda quando se contrasta esta realidade com o compromisso assumido pela coligação “Fazer Diferente” de apostar fortemente no turismo de natureza e no turismo cultural. Não se promove turismo fechando portas», disse.
Defendendo que «a situação deve ser revista com urgência», o vereador teve ainda oportunidade de lembrar que a Casa da Lã foi inaugurada «com dignidade institucional ao mais alto nível» pelo então Presidente da República, Cavaco Silva, representando «um investimento que deve ser honrado, valorizado e dinamizado — não desvalorizado».













