Segunda-feira, Março 9, 2026
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Cabeceiras esqueceu promoção turística e preferiu feira alimentar

A presidência da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto considera que a participação num certame internacional como a Bolsa de Turismo do Lisboa – a principal montra da oferta turística em Portugal – não tem interesse para municípios como o cabeceirense.

A convicção é de Manuel Teixeira e de António Ribeiro Fernandes, presidente e vice-presidente do executivo, que assim justificam que Cabeceiras de Basto se tenha limitado a emprestar o nome para a representação conjunta na BTL entre os vários municípios da Comunidade Intermunicipal do Ave.

Em detrimento de uma participação ativa e trabalhada, que pode consubstanciar-se em momentos de promoção individual dessa representação conjunta – tal como fazem, por exemplo, Celorico de Basto e Mondim de Basto –, o presidente do município cabeceirense diz ter tomado a decisão de não participar ativamente com base nas indicações que lhe foram dadas sobre a presença nas edições anteriores, precisamente as de que «aquilo não tem trazido nada de positivo».

«Só vão os municípios que acham que têm vantagens sobre isso… Nós, a análise que fizemos, é que [a participação na BTL] não tem vantagem», insistiu o presidente da câmara durante a última reunião deste órgão, admitindo, contudo, que os dados que tem «são uma perceção.

A BTL decorreu entre os dias 25 de fevereiro e 1 de março, na Feira Internacional de Lisboa, sendo organizada pela Fundação AIP, através da Associação Industrial Portuguesa. Durante os cinco dias, o evento reuniu destinos turísticos, municípios, regiões, operadores turísticos, companhias aéreas, hotéis e empresas do setor. Tal como em edições anteriores, os primeiros dias foram dedicados sobretudo a profissionais do setor, enquanto os últimos dias estiveram também abertos ao público.

A BTL tem como objetivo promover Portugal como destino turístico, estimular a internacionalização da oferta turística, criar oportunidades de negócio entre empresas e dar a conhecer novos produtos e tendências do turismo. Trata-se de uma das maiores feiras de turismo da Península Ibérica e um dos eventos mais relevantes do setor em Portugal.

Cabeceiras preferiu

a “Lisbon Food”

Foi igualmente com base em perceções que o presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto preferiu levar uma representação municipal à “Lisbon Food Affair”, um certame que decorreu de 9 a 11 de fevereiro, na FIL, igualmente organizado pela Associação Industrial Portuguesa. Durante os três dias, o evento reuniu duas centenas de empresas, marcas e profissionais ligados ao setor da alimentação e bebidas, funcionando como uma plataforma de encontro para produtores, distribuidores, compradores e profissionais do canal HORECA (hotelaria, restauração e “catering”).

A representação cabeceirense – adiantou o vice-presidente do executivo durante a última reunião deste órgão – participaram oito produtores locais de setores como o vinho verde, fumeiro, licores, mel e “miguelitos”.

«Contactámos todos os produtores locais; explicámos em que consistia [a feira]; oito produtores quiseram participar; os que foram tiveram a oportunidade de marcar entrevistas com potenciais clientes, que fizeram ao longo dos três dias», explicou António Ribeiro Fernandes, que acompanhou a comitiva, assim coordenando a representação paga pelo município. «Os participantes apenas tiveram de pagar a deslocação e a estadia», adiantou.

Repetindo o que já fora dito por Manuel Teixeira, também o vice-presidente da câmara foi perentório: «o balanço é muito positivo» pelas perspetivas de negócios que abriu, «essencialmente contactos internacionais», disse.

BTL versus “Lisbon Food”

Contrariamente ao que acontece na promoção turística, com a BTL, em que todos os 24 municípios do Minho se fizeram representar num único espaço – o Consórcio Minho In, que aglutina as três comunidades intermunicipais –, o Município de Cabeceiras de Basto foi, de acordo com os dados recolhidos, o único da região a participar na “Lisbon Food Affair”, o que se justifica por se tratar de uma feira orientada para empresas do setor alimentar e bebidas, e não para a promoção territorial direta por municípios, sendo a presença feita vulgarmente através de produtores, marcas, associações empresariais ou regiões alimentares.

A participação no certame especialmente voltado para o designado “canal horeca” e para o “networking” empresaria não substitui, pelo exposto, a participação ativa do Município de Cabeceiras de Basto na BTL, cuja ausência foi particularmente sentida no contexto dos vários momentos que preencheram a agenda do Consórcio Minho In na FIL.

Neste contexto, não deixa de ser particularmente relevante que também o anterior presidente do executivo municipal, agora vereador, tenha considerado que «não houve vantagens» da participação do concelho naquela que é uma das principais feiras de promoção turística da península. [JPM].

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