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Feira semanal de Cabeceiras de Basto circunscreve-se ao Campo do Seco

A feira semanal de Cabeceiras de Basto – que acontece todas as segundas-feiras do ano – vai fazer-se exclusivamente no Campo do Seco, a maior praça do centro histórico da vila. O anúncio oficial foi feito esta segunda-feira (23) à noite pelo presidente da câmara, que convidou feirantes e população para conhecerem a decisão.

Decisão tomada, Manuel Teixeira quis ouvir dos presentes – um auditório cheio, metade de simpatizantes do poder municipal e outra metade de comerciantes e feirantes locais – se havia quem se opusesse à proposta, que deverá efetivar-se em breve, apesar de não ter ainda data marcada.

Embora se tivesse ouvido na sala que «as queixas só vão aparecer quando entrar em vigor», a proposta de acabar com a feira na Praça Arcipreste Barreto foi, aparentemente, bem acolhida pelos feirantes aí instalados, de setores comerciais como o dos vegetais de consumo imediato ou para plantação, da fruta, das aves ou dos utensílios hortícolas.

Os cerca de 20 feirantes que abandonam a praça fronteira ao Mercado Municipal – que deixa, assim, de ter uma atratividade especial à segunda-feira – vão juntar-se aos 88 que já fazem a feira no Campo do Seco.

O presidente da câmara anunciou que deverá reunir-se em breve com estes feirantes que vão mudar de lugar, adiantando também que a designada “carreira” – onde se comercializam os produtos agrícolas locais – vai ficar instalada nas imediações do quartel dos bombeiros.

«Temos inscritos na feira semanal 70 produtores do concelho e 25 de fora, mas a presença semanal depende muito das condições meteorológicas e da sazonalidade dos produtos hortícolas, pelo que, em média, temos cerca de 25 produtores por feira», foi explicado.

Para que possam ter melhores condições de trabalho, os feirantes desta área terão ao seu dispor um conjunto de 14 tendas de diferentes dimensões.

No contexto das intervenções dos feirantes, foi anunciado que o município «está a fazer um estudo» da iluminação pública, de que deverá resultar a indicação para «desativar algumas luminárias e a ativação de outras», mediante indicação à empresa distribuidora de eletricidade.

Interrogado, entretanto, sobre o futuro das «feirinhas das sextas-feiras», reivindicadas por produtores locais, o presidente da câmara apenas adiantou que o assunto «está a ser estudado».

O autarca cabeceirense aproveitou para anunciar que a obra de requalificação do centro de saúde – nas imediações do espaço que vai ficar liberto com a transferência de todos os feirantes para o Campo do Seco — deverá iniciar-se em breve, «mal tenha o visto do Tribunal de Contas, que deverá demorar 30 a 45 dias».

Uma feira histórica

Ao longo dos séculos, a feira semanal de Cabeceiras de Basto acompanhou o crescimento da vila e foi mudando de localização, refletindo as transformações económicas, sociais e urbanísticas do concelho. Embora não exista um registo único que fixe com precisão todas as etapas dessa evolução, a tradição local e a própria configuração urbana permitem traçar um percurso plausível dos vários espaços que acolheram este importante ponto de encontro comercial.

Nos seus primórdios, terá decorrido no núcleo mais antigo da vila, junto ao centro administrativo e religioso. A zona correspondente à atual Praça da República, espaço central por excelência, reunia as condições típicas das feiras medievais e modernas: proximidade à igreja, à câmara e às principais vias de circulação. Era aí que agricultores das freguesias vizinhas traziam os seus produtos – do milho ao feijão e hortícolas — e onde se realizavam pequenas trocas comerciais e encontros sociais que iam muito além do simples negócio. Com o passar do tempo e o crescimento populacional, a atividade comercial tornou-se mais intensa e exigiu maior organização.

Nas últimas décadas, com a expansão urbana e o aumento do número de vendedores ambulantes, a feira voltou a ajustar-se à realidade contemporânea, passando a ocupar, não apenas o Campo do Seco, mas também a nova Praça Arcipreste Barreto. A reorganização do espaço urbano e as exigências do tráfego automóvel contribuíram igualmente para redefinir os seus limites e a sua disposição.

Mais do que um simples mercado, a feira semanal de Cabeceiras de Basto – provavelmente a maior de toda a região – mantém-se como um símbolo vivo da identidade local, adaptando-se ao tempo sem perder o seu papel de ponto de encontro da comunidade, embora com acelerada perda de feirantes e de clientes. [JPM].

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