A Polícia Judiciária do Porto anunciou esta quarta-feira (3) a detenção de oito pessoas, entre funcionários da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e alguns empresários do setor, durante a operação “Puro Verde”. Em causa estão suspeitas de corrupção ativa e passiva, falsificação de documentos e abuso de poder.
As detenções verificaram-se durante a operação que levou a cabo na zona norte do país, em que realizou 21 buscas domiciliárias e não domiciliárias, incluindo na sede da CVRVV.
A investigação, iniciada em agosto último, teve origem numa denúncia sobre um alegado esquema de conluio entre funcionários da CVRVV e empresários do setor vinícola, com vista ao favorecimento destes, designadamente, mediante a omissão dos deveres de fiscalização da origem e trânsito das uvas e seu depósito em adegas e produtores durante a vindima de 2025.
A PJ lembra que a CVRVV tem funções de controlo da produção e comércio e de certificação dos produtos vinícolas com direito a atribuição do estatuto de “Denominação de Origem” e “Indicação Geográfica”, bem como a empresas relacionadas com a produção e comercialização de vinhos.
Segundo a polícia de investigação, através da conduta suspeita é colocado em risco o processo de certificação da qualidade do vinho, que confere e atesta a sua origem, as castas utilizadas, os processos de tratamento da vinha, vinificação e estágios, que caracterizam os vinhos de uma determinada “DO” e os distingue dos restantes.
O objetivo – diz – seria beneficiar certos operadores económicos através da oferta e aceitação de vantagens, tanto em bens, como em dinheiro.
Os detidos são quatro membros da Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e quatro empresários do setor de produção e distribuição de vinhos verdes.
A investigação, dirigida pela diretoria do norte da PJ, visou detetar e recolher provas sobre o esquema referido, confirmar se houve violação das regras da certificação e impedimento do reforço da fiscalização, vindo as práticas detetadas a mostrar-se complexas e de muito difícil deteção, não obstante os esforços da direção da CVRVV e de operações especiais de fiscalização conduzidas pela GNR e ASAE – diz a PJ.
No decurso da Operação “Puro Verde” foram constituídos arguidos 17 pessoas singulares e coletivas e apreendidos bens em espécie e numerário.
Os detidos vão ser presentes à competente autoridade judiciária no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial de arguido detido e aplicação de medidas de coação. O inquérito é titulado pela 6.ª Secção do DIAP do Porto.






