A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Ave – em que se integram os municípios de Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto – apresentou esta terça-feira, no Teatro Cinema de Fafe, o projeto “Ave Global” destinado a reforçar a capacidade da região para atrair investimento, antecipar as competências necessárias às empresas, estimular novos modelos de empreendedorismo e projetar internacionalmente os seus setores de especialização.
Perante uma sala cheia, marcada por uma expressiva presença de jovens, foi igualmente revelada a nova marca territorial “AVE.FAZ – território global”.
O “Ave Global” foi aprovado no âmbito do programa regional “Norte 2030”, representa um investimento total de 880.652,76 euros e será desenvolvido até maio de 2028.
Para Maria José Fernandes, vice-presidente da Comissão de Coordenação-Norte (CCDR-N), o projeto traduz «uma visão ambiciosa para o futuro e um compromisso coletivo», reforçando a importância estratégica de um território que se distingue pela resiliência das empresas, pelo ecossistema de inovação e pela capacidade de reinvenção das suas pessoas.
Foi, aliás, em função do reconhecimento do seu potencial de alavancagem para a região que a CCDR-Norte aprovou o financiamento do projeto, o qual agrega os oito municípios da CIM do Ave numa estratégia económica comum, baseada na cooperação entre municípios, empresas, associações empresariais, clusters, instituições de ensino e estruturas de investigação e transferência de conhecimento.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Fafe e vice-presidente da CIM do Ave, Antero Barbosa, salientou que nenhum município consegue responder isoladamente aos atuais desafios económicos e que a cooperação regional é essencial para criar novas oportunidades.
O “Ave Global” pretende promover a atratividade e a resiliência económica da sub-região através de iniciativas de diplomacia económica, promoção territorial e empresarial, qualificação de recursos humanos e apoio a novos modelos de empreendedorismo. A intervenção incide em três domínios: industrialização e sistemas avançados de fabrico; criatividade, moda e habitats; e sistemas agroambientais e alimentação.
Indústria, conhecimento e talento
O projeto assenta numa sub-região com mais de 422 mil residentes, 48.561 empresas e cerca de 180 mil pessoas ao serviço. Em 2023, as empresas do Ave geraram um volume de negócios de cerca de 17,3 mil milhões de euros e exportaram 4,85 mil milhões de euros em bens. A indústria transformadora concentra 43,1% do emprego empresarial e 48,3% do volume de negócios da região. O Ave é ainda responsável por 17,9% das exportações de bens da Região Norte e por 6,3% das exportações nacionais.
Durante a sessão, Hugo Santarém, da AICEP, destacou a capacidade industrial, o talento, o conhecimento tecnológico e o saber-fazer acumulado ao longo de gerações. «O Ave tem capacidade industrial instalada e isso não se cria de um dia para o outro», afirmou, acrescentando que a existência de cadeias de valor consolidadas, fornecedores, centros de conhecimento e instituições de ensino torna a região atrativa aos investidores porque reduz o risco e aumenta a competitividade das empresas.
Por seu turno, Isabel Oliveira, da “PortugalFoods”, defendeu que o agroalimentar deve ser entendido como «a tradição aliada à inovação», considerando que a região do Ave tem uma grande oportunidade resultante da combinação entre capacidade industrial, conhecimento, talento e proximidade às instituições de ensino e investigação. O desafio, sublinhou, consiste em transformar inovação em valor e aprofundar o conhecimento dos mercados internacionais.
Maria José Carvalho, do “Cluster Têxtil: Tecnologia e Moda”, recordou a capacidade de adaptação das empresas têxteis, que evoluíram de uma competição baseada no preço para uma aposta na qualidade, flexibilidade, rapidez de resposta e segmentos de maior valor. Esta responsável identificou, contudo, a retenção de talento como um dos principais desafios. Para fixar os jovens qualificados – defendeu – são necessários salários, habitação, oferta cultural e condições de vida que tornem a região mais atrativa.
Pedro Rocha, diretor executivo da “Produtech”, destacou a capacidade de inovação e co-criação da indústria regional. «A transformação tecnológica não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar a competitividade da nossa indústria e da nossa economia”, afirmou.
Na mesma linha, Paula Silvestre, diretora de Competitividade e Formação da Associação Empresarial de Portugal, defendeu respostas coletivas para apoiar um tecido empresarial constituído maioritariamente por micro, pequenas e médias empresas, salientando a importância das competências digitais e das “strong skills”, como a liderança, a empatia, a resolução de problemas e o trabalho em rede.
Paulo Ramísio, diretor executivo da “TecMinho”, chamou a atenção para a necessidade de aproximar universidades e empresas, valorizando e transferindo para a economia o conhecimento produzido. Mas – disse – «o segredo para o sucesso nem sempre está apenas no conhecimento. Temos de aprender a trabalhar uns com os outros e a partilhar responsabilidades».
Um aspeto consensual na mesa-redonda foi a necessidade de tornar o Ave atrativo, não só para o investimento, mas também para as pessoas. Todos os intervenientes sublinharam que a competitividade da região dependerá da sua capacidade para reter o talento que forma e atrair novos profissionais qualificados. Para isso, não bastam empregos ou tecnologia: são igualmente necessários salários competitivos, habitação, mobilidade, oferta cultural, qualidade ambiental e oportunidades profissionais desafiantes, capazes de responder às expectativas das novas gerações e de transformar o Ave num território onde seja possível trabalhar, viver e construir o futuro.
“AVE.FAZ” projeta
saber-fazer da região
A sessão ficou igualmente marcada pela apresentação da nova marca territorial “AVE.FAZ – território global”, criada para dar unidade e projeção à identidade económica dos oito municípios da CIM do Ave.
José Martins, da CIM do Ave, explicou que o desenvolvimento do “Ave Global” tornou óbvia a necessidade de uma marca forte e capaz de representar a região. «Temos a expressão portuguesa do saber-fazer, que está no ADN do Ave», afirmou, sublinhando que a marca deverá projetar o conhecimento, a capacidade produtiva e a cultura empresarial do território.
Assim, a construção da marca procurou respeitar as diferenças dos oito municípios e, simultaneamente, representar a força resultante da sua união, explicou Ângela Rodrigues, da “Pegada Criativa”: «o Ave não precisa de mudar de identidade; precisa de a atualizar e de a projetar à escala global».
O nome “AVE.FAZ” parte do saber-fazer das pessoas, empresas e instituições da região. O símbolo é composto por oito elementos entrelaçados, representando os oito municípios, enquanto a forma circular remete para a unidade do território e para a sua abertura ao mundo. As cores representam os três domínios de especialização do projeto e cruzam-se numa mesma estrutura, traduzindo a ligação entre municípios, setores económicos, empresas e instituições.
Nova etapa
No encerramento da sessão, o primeiro-secretário intermunicipal da CIM do Ave, Guilherme Emílio, afirmou que o “Ave Global” representa «muito mais do que um conjunto de ações», correspondendo a uma transformação no posicionamento estratégico e económico da região. «O sucesso do “AVE.FAZ” dependerá, em grande medida, da participação ativa de todos e da capacidade de aproveitarmos juntos estas oportunidades», declarou.
Guilherme Emílio concluiu a sessão assinalando o início de «uma nova etapa de trabalho e colaboração» em favor da competitividade e do crescimento económico regional: «O Ave sabe, o Ave inova, o Ave cria. O Ave não espera. O Ave faz».







