A Casa do Barroso, vitivinícola de Cabeceiras de Basto, acaba de celebrar uma década de atividade, assinalando um percurso marcado pela recuperação de um património familiar com quase três séculos de história, pela sua afirmação na Sub-Região de Basto, situada no extremo oriental da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, e pela aposta consistente na casta alvarinho, eixo central da sua produção.
Num território distante dos locais que tradicionalmente projetaram o alvarinho para o reconhecimento nacional e internacional, este produtor cabeceirense tem procurado revelar uma expressão distinta da casta, moldada pelas condições singulares da Sub-Região de Basto.
Situado no lugar de Cunhas, na freguesia de Vilar de Cunhas, este projeto vitivinícola nasceu da vontade da Família Barroso de recuperar uma propriedade histórica, datada de 1730, e de lhe devolver a relevância que teve ao longo de gerações, um processo de reabilitação que possibilitou a recuperação integral da propriedade, preservando a sua traça original e respeitando os materiais e a arquitetura tradicional da região.
Paralelamente à recuperação do edificado, foram também reestruturadas vinhas e recuperados terrenos agrícolas que se encontravam abandonados ou sub-aproveitados, integrando hoje a exploração 6,2 hectares de vinha distribuídos por diferentes zonas do concelho de Cabeceiras de Basto.
No centro desta história está Agostinho Barroso, patriarca da família e principal inspiração para a recuperação da propriedade, que, aos 89 anos, continua a acompanhar de perto a evolução de um projeto que representa a continuidade de uma ligação à terra construída ao longo de várias gerações.
«A Casa do Barroso representa muito mais do que um projeto de vinho. É a continuação de uma história familiar construída ao longo de várias gerações e a concretização da vontade de preservar um património que faz parte da identidade da nossa família e desta região. Recuperar a propriedade, devolver-lhe vida e afirmar o potencial de Basto através dos nossos vinhos foi sempre a grande motivação deste projeto», justifica Jorge Barroso, filho de Agostinho e principal dinamizador do projeto.
A primeira vindima realizou-se em 2016, dando início a um trabalho que procurou desde o primeiro momento compreender e revelar a expressão do alvarinho num território distinto daquele onde a casta construiu a sua notoriedade histórica. Ao longo deste percurso, Jorge Barroso conciliou o desenvolvimento da Casa do Barroso com a sua atividade profissional como enfermeiro no Hospital de Santo António, no Porto, onde trabalha há mais de três décadas.
Ao lado de Jorge Barroso esteve desde cedo o enólogo Márcio Lopes, numa parceria que se tornou num dos pilares do projeto e que permitiu construir uma identidade própria para os vinhos da marca.
«O que mais me entusiasmou neste projeto foi a oportunidade de explorar uma interpretação diferente do alvarinho. Em Basto, encontramos condições muito particulares, que se traduzem em vinhos de grande frescura, precisão e capacidade de evolução. Ao longo destes anos procurámos respeitar o território e criar vinhos que refletissem de forma autêntica a sua origem, sem compromissos nem fórmulas pré-definidas», explica Márcio Lopes ao Terras de Basto.
A gama da Casa do Barroso integra atualmente quatro referências: Casa do Barroso Alvarinho Reserva, Casa do Barroso Alvarinho Barrica, Casa do Barroso Alvarinho Estágio Prolongado e Casa do Barroso Rosé, produzido a partir da casta padeiro, uma das variedades históricas mais emblemáticas da região.
Primeiro espumante
está a chegar
O ano de 2026 marca também um novo capítulo na evolução do projeto, com o lançamento do primeiro espumante do produtor, previsto para o verão. Este vinho surge como consequência natural do trabalho desenvolvido ao longo da última década e da crescente confiança nas potencialidades da Sub-Região de Basto.
A consistência do projeto tem sido acompanhada por um reconhecimento crescente por parte da crítica especializada. Em abril de 2026, a “Wine Advocate” distinguiu o Casa do Barroso Alvarinho Reserva 2021 com 93 pontos e o Casa do Barroso Alvarinho Estágio Prolongado IV com 91 pontos. Já no início do mesmo ano, a Casa do Barroso integrou a seleção “A Próxima Geração de Produtores Portugueses – Norte”, uma iniciativa promovida pelo projeto “Wine & Stuff” que distingue produtores emergentes com forte identidade, visão e ligação ao território.
Dez anos após a primeira vindima, o produtor continua a afirmar uma visão assente na autenticidade, na valorização do património familiar e na convicção de que a Sub-região de Basto possui condições únicas para produzir vinhos capazes de ocupar um lugar de destaque entre os grandes vinhos portugueses.
Um percurso que une três gerações da família Barroso: da herança partilhada por Agostinho Barroso, à visão concretizada pelo filho Jorge Barroso e à crescente proximidade dos netos, Afonso e João Barroso, que começam a acompanhar mais de perto a evolução do projeto e representam a continuidade da história da Casa do Barroso para o futuro.














