Especialistas em fogos florestais de 19 países estiveram este sábado (22), em Gondiães – Cabeceiras de Basto, para conhecer a realidade local quanto à prevenção de incêndios, numa visita de campo integrada na Conferência Internacional sobre Causas de Incêndios Florestais “WIC 25”, organizada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Luís Miguel Gonçalves, diretor-regional adjunto para a gestão de fogos rurais no norte, que integrou a organização da conferência, disse ao Terras de Basto que os hectares de rede primária existente na região e os “mosaicos” arbóreos que têm sido criados em redor da aldeia combinavam uma realidade interessante para os participantes na visita.
A visita ao “laboratório” cabeceirense foi acompanhada pelo vice-presidente da câmara, António Ribeiro Fernandes, e pela coordenadora municipal da Proteção Civil, Joana Carvalho.
A visita de campo concluiu esta primeira conferência, que se iniciou terça-feira (18) no Porto para «debater a investigação» das causas de fogos rurais e tentar perceber como esse conhecimento pode ajudar na prevenção, tratando-se de um conhecimento particularmente relevante em tempos de crise climática, com os incêndios a tornarem-se mais intensos e prováveis.
«Vamos debater a investigação das causas, como é que ela é feita, como é que ela pode ser melhorada para que seja mais efetiva a prevenção. Nos incêndios, tudo começa pelas ignições. Se entendermos melhor porque é que surgem as ignições, conseguimos desenvolver políticas mais efetivas para reduzir muitas delas”, explicou antecipadamente Fantina Tedim, geógrafa da Universidade do Porto e coordenadora desta “WIC 2025”, citada pela agência Lusa.
A iniciativa juntou académicos, polícias, bombeiros e autoridades florestais para «partilhar conhecimento e identificar aspetos que estão em falta», para os quais é «necessário que a ciência contribua com conhecimento», acrescentou a responsável.
Fantina Tedim diz que em Portugal «houve uma grande evolução em termos de gestão dos incêndios», mas entende que «pode ir-se mais além» em termos de formação e de utilização de tecnologia na investigação. «Mas isto não é um problema só de Portugal, isto é um problema que interessa a muita gente. Estão representados na conferência 19 países, com a presença de académicos e de pessoas ligadas à investigação no terreno», observou.
A geógrafa Fantina Tedim refere que, em Portugal, «a utilização de tecnologia digital na investigação das causas é muito reduzida, para não dizer que não existe». «Há muito conhecimento que é preciso adquirir», o que passa por uma «maior aposta na formação e na utilização correcta da tecnologia». «Se tratarmos melhor esta parte das ignições, da investigação, do ponto de origem da causa da ignição, teremos melhor prevenção e menos incêndios no futuro», disse.
A “WIC25” foi uma iniciativa do projecto “Ignit – A investigação das causas dos incêndios: soluções inovadoras para uma gestão efectiva”, no âmbito do qual foi feito um inquérito a nível mundial para saber como é feita a investigação das causas dos incêndios e os principais problemas e desafios.
Este questionário já foi respondido por 300 investigadores e a «falta de especialização dos investigadores» das causas das ignições foi o principal problema identificado, tendo os inquiridos apontado que, em geral, «os investigadores fazem várias tarefas e só quando têm tempo é que investigam as causas das ignições». Defendem, por isso, que os incêndios mais complexos têm de ser investigados por «investigadores com experiência» e «graus elevados de especialização».
Os inquiridos apontaram ainda a «falta de recursos humanos e de acesso às tecnologias digitais para suportar uma investigação mais efetiva», bem como a ausência de partilha de informação entre organizações.
![[Imagens a partir de TVI]](https://terrasdebasto.pt/wp-content/uploads/2025/11/WIC25-03.jpg)








