As comunidades intermunicipais do Ave – em que se integram Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto – e do Cávado estão a dias de lançar provavelmente o seu maior concurso internacional de sempre – à volta dos 150 milhões de euros – para escolher o operador que a partir de janeiro de 2028 vai passar a assumir a futura rede de transportes na região.
O concurso – sabe o Terras de Basto – aguarda a emissão do parecer prévio vinculativo da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, devendo a nova rede [de transportes] assegurar «uma transição organizada, alinhada com o termo dos contratos atuais e sem qualquer rutura no serviço prestado às populações».
Além de Cabeceiras de Basto e de Mondim de Basto, a CIM do Ave integra os municípios de Fafe, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela; enquanto a CIM do Cávado é composta por Braga, Barcelos, Amares, Esposende, Terras de Bouro e Vila Verde.
De acordo com recentes informações veiculadas pela agência Lusa, que citava fonte da CIM do Ave, está concluída a definição do modelo de organização e do modelo contratual da futura rede, tendo-se avançado para a fase técnica seguinte, dedicada ao desenho da oferta e aos estudos económico-financeiros que sustentarão o concurso internacional. «O processo decorre dentro do calendário estabelecido e com plena estabilidade institucional, garantindo bases sólidas para as etapas seguintes», referia-se.
O futuro contrato de serviço público pode assumir a forma de concessão ou de prestação de serviços, mas «a avaliação técnica conduzida demonstrou que o modelo de prestação de serviços oferece maior controlo público e flexibilidade na gestão da rede». A rede de transportes tem, assim, por base um modelo que conjuga a autonomia de cada território e uma coordenação estratégica.
Embora existam dois lotes, «o modelo adotado prevê um único operador, por se tratar da solução que melhor potencia sinergias operacionais, otimiza recursos, simplifica a gestão contratual e facilita a coordenação das linhas inter-regionais».
Quanto à definição das futuras linhas, estão a ser analisadas todas as intermunicipais da CIM do Ave, as redes municipais delegadas – designadamente nos municípios de Cabeceiras de Basto, Mondim de Basto, Fafe, Póvoa de Lanhoso e Vizela – e as ligações inter-regionais, incluindo as que conectam com o território do Cávado, bem como as que asseguram ligação com o Alto Tâmega, Área Metropolitana do Porto, Douro e Tâmega e Sousa.
Em relação aos valores finais que vão estar envolvidos no contrato de serviço público, a fonte adiantava que eles seriam determinados «pelas conclusões do estudo de viabilidade económico-financeira», que então se encontravam na fase final. Em reunião do executivo municipal de 27 de fevereiro, o presidente da câmara de Cabeceiras de Basto tornou, entretanto público que esse valor deverá rondar «os 150 milhões de euros».
«As melhorias mais significativas»
O objetivo do novo modelo de transportes na região do Ave e do Cávado é melhorar as ligações intermunicipais e reforçar a oferta de transportes, considerando as necessidades reais de mobilidade da população. A futura rede está a ser desenhada para ser mais coesa, com a criação de novas linhas e a otimização das já existentes. Também está prevista uma maior articulação com os territórios vizinhos, garantindo a conexão eficiente com outras áreas, como o Porto, Vila Real, Alto Tâmega, Douro e Tâmega e Sousa.
Na reunião do executivo de 27 de fevereiro, o autarca cabeceirense adiantou alguns dos pormenores daquelas que considera serem «melhorias mais significativas» na rede de transportes que vai servir o concelho a partir de 1 de janeiro de 2028, sublinhando, por exemplo, «uma nova ligação» a Mondim de Basto, por Atei.
Para relevar a importância desta ligação entre Arco de Baúlhe e Atei, o edil cabeceirense convidou mesmo o seu homólogo de Mondim de Basto para se lhe juntar na Ponte da Barca, que liga as duas localidades, e, perante a máquina fotográfica da rádio local, anunciar que vão ser quatro carreiras diárias as que, a partir de 1 de janeiro de 2028, vão fazer-se entre estes dois concelhos. A nova ligação – que havia sido proposta pela anterior vereadora da tutela, Carla Lousada – é para os autarcas atuais «um novo serviço essencial para promover a coesão territorial, reforçar a mobilidade entre os dois municípios e contribuir para uma maior proximidade entre populações, serviços e oportunidades».
Na reunião da vereação cabeceirense, o presidente referiu igualmente a “linha de Teixugueiras”, «a 1.105, que parava em Salto [Montalegre], e que vai [passar a fazer-se então] até Venda Nova». «Nesta linha, estamos ainda a tentar ajustar os horários para Salto, porque a presidente da Junta de Salto pediu alguns ajustes», adiantou.
No contexto das conversações preparatórias do desenho da nova rede, Manuel Teixeira referiu igualmente «uma nova ligação a Braga pela autoestrada», em horários a que os estudantes universitários dela possam usufruir diariamente, sem que tenham de permanecer a semana inteira na capital do distrito.
«Vamos ter uma nova ligação ao Porto via autoestrada; e vamos ter uma ligação, que vem de Fafe, a Vila Real; principalmente aos domingos à noite e às sextas-feiras à tarde, para permitir que os estudantes da UTAD possam vir de fim-de-semana», disse.
Refira-se que o plano de mobilidade sustentável da CIM do Ave, que abrange o período de 2028 a 2030 – o contrato com o novo operador dirá respeito aos anos de 2028 a 2035 –, ainda está em fase de definição, com os detalhes sobre o financiamento a ser trabalhados em conjunto com outras entidades.
De acordo com as duas entidades, este acordo de colaboração entre as CIM do Ave e do Cávado é fundamental para garantir o sucesso da nova concessão, que visa aumentar a qualidade e a cobertura dos serviços de transportes públicos na região, beneficiando diretamente as populações de todas as áreas envolvidas.[JPM; Agência Lusa].





