Sábado, Março 21, 2026
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Cerca de 100 quilos de cobre roubados no Arco de Baúlhe

Cerca de 100 quilogramas de cobre foram roubados, na madrugada deste sábado (21), num empreendimento habitacional em construção na vila de Arco de Baúlhe, em Cabeceiras de Basto.

O assalto – perpetrado por desconhecidos entre as 3h00 e as 5h00 da madrugada – ocorreu no Bloco C dos “Empreendimentos Largo da Vila”, no centro desta localidade.

A GNR de Cabeceiras de Basto confirmou a ocorrência ao Terras de Basto, adiantando que foi alertada «por volta das 09h00», quando o proprietário deu conta do assalto.

A ocorrência acabou por chamar a atenção dos vizinhos já depois de os assaltantes se terem retirado, uma vez que o corte da tubagem, «eventualmente por engano», deixou a água a jorrar «com grande pressão».

Os Empreendimentos Largo da Vila – três blocos cuja arquitetura marca positivamente a melhor paisagem do Arco de Baúlhe – têm como promotor o reconhecido empresário desta vila cabeceirense Frederico Sousa e caminham para a sua conclusão, encontrando-se este Bloco C na fase final de execução.

Fonte próxima do promotor aproveitou o contacto do Terras de Basto para solicitar o apelo à população arcuense para que possa partilhar eventuais registos possam servir de pistas para a identificação dos autores deste furto.

«Pelo que vimos, estamos perante profissionais, especializados neste tipo de furto; além disso, eram conhecedores do tipo de material que já ali estava instalado; curiosamente, abundavam no local várias ferramentas, que não despertaram o seu interesse», adiantou a fonte.

Problema persistente

O furto de cobre continua a ser um problema em Portugal, afetando sobretudo infraestruturas críticas, como as redes elétricas, de telecomunicações e as linhas ferroviárias. Apesar de uma redução face aos picos registados na década passada, as autoridades continuam a registar centenas de ocorrências por ano, num fenómeno que acompanha de perto a evolução do preço internacional do metal.

Entre 2010 e 2015, período marcado por valores elevados do cobre nos mercados internacionais, Portugal registou milhares de furtos anuais. Nos últimos anos, os números estabilizaram, situando-se geralmente na ordem das centenas de casos por ano, ainda assim com impacto significativo.

Os principais alvos são cabos elétricos e de telecomunicações, frequentemente instalados em zonas isoladas ou com menor vigilância. A rede ferroviária é também particularmente vulnerável, com furtos que afetam sistemas de sinalização e provocam perturbações na circulação. Empresas como o instituto público “Infraestruturas de Portugal” têm vindo a alertar para os prejuízos elevados, que vão muito além do valor do material roubado, incluindo custos de reparação, interrupções de serviço e impacto na mobilidade.

O fenómeno ocorre com maior incidência em áreas rurais, zonas industriais e locais de obra, onde o acesso é facilitado e a vigilância reduzida. Em muitos casos, os furtos estão associados a redes organizadas, embora também se registem situações oportunistas. O cobre é posteriormente escoado no mercado de sucata, por vezes através de circuitos ilegais.

Para travar esta prática, têm sido reforçados os mecanismos de controlo sobre operadores de reciclagem e sucateiras, com exigência de identificação dos vendedores e registo das transações. As forças de segurança, nomeadamente a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública, têm intensificado operações de fiscalização e investigação.

Apesar da tendência de descida relativamente à última década, especialistas alertam que o fenómeno poderá voltar a intensificar-se caso se verifique uma nova subida do preço do cobre, mantendo-se como uma ameaça latente à segurança e funcionamento de infraestruturas essenciais no país. [JPM].

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