Cerca de 100 quilogramas de cobre foram roubados, na madrugada deste sábado (21), num empreendimento habitacional em construção na vila de Arco de Baúlhe, em Cabeceiras de Basto.
O assalto – perpetrado por desconhecidos entre as 3h00 e as 5h00 da madrugada – ocorreu no Bloco C dos “Empreendimentos Largo da Vila”, no centro desta localidade.
A GNR de Cabeceiras de Basto confirmou a ocorrência ao Terras de Basto, adiantando que foi alertada «por volta das 09h00», quando o proprietário deu conta do assalto.
A ocorrência acabou por chamar a atenção dos vizinhos já depois de os assaltantes se terem retirado, uma vez que o corte da tubagem, «eventualmente por engano», deixou a água a jorrar «com grande pressão».
Os Empreendimentos Largo da Vila – três blocos cuja arquitetura marca positivamente a melhor paisagem do Arco de Baúlhe – têm como promotor o reconhecido empresário desta vila cabeceirense Frederico Sousa e caminham para a sua conclusão, encontrando-se este Bloco C na fase final de execução.
Fonte próxima do promotor aproveitou o contacto do Terras de Basto para solicitar o apelo à população arcuense para que possa partilhar eventuais registos possam servir de pistas para a identificação dos autores deste furto.
«Pelo que vimos, estamos perante profissionais, especializados neste tipo de furto; além disso, eram conhecedores do tipo de material que já ali estava instalado; curiosamente, abundavam no local várias ferramentas, que não despertaram o seu interesse», adiantou a fonte.
Problema persistente
O furto de cobre continua a ser um problema em Portugal, afetando sobretudo infraestruturas críticas, como as redes elétricas, de telecomunicações e as linhas ferroviárias. Apesar de uma redução face aos picos registados na década passada, as autoridades continuam a registar centenas de ocorrências por ano, num fenómeno que acompanha de perto a evolução do preço internacional do metal.
Entre 2010 e 2015, período marcado por valores elevados do cobre nos mercados internacionais, Portugal registou milhares de furtos anuais. Nos últimos anos, os números estabilizaram, situando-se geralmente na ordem das centenas de casos por ano, ainda assim com impacto significativo.
Os principais alvos são cabos elétricos e de telecomunicações, frequentemente instalados em zonas isoladas ou com menor vigilância. A rede ferroviária é também particularmente vulnerável, com furtos que afetam sistemas de sinalização e provocam perturbações na circulação. Empresas como o instituto público “Infraestruturas de Portugal” têm vindo a alertar para os prejuízos elevados, que vão muito além do valor do material roubado, incluindo custos de reparação, interrupções de serviço e impacto na mobilidade.
O fenómeno ocorre com maior incidência em áreas rurais, zonas industriais e locais de obra, onde o acesso é facilitado e a vigilância reduzida. Em muitos casos, os furtos estão associados a redes organizadas, embora também se registem situações oportunistas. O cobre é posteriormente escoado no mercado de sucata, por vezes através de circuitos ilegais.
Para travar esta prática, têm sido reforçados os mecanismos de controlo sobre operadores de reciclagem e sucateiras, com exigência de identificação dos vendedores e registo das transações. As forças de segurança, nomeadamente a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública, têm intensificado operações de fiscalização e investigação.
Apesar da tendência de descida relativamente à última década, especialistas alertam que o fenómeno poderá voltar a intensificar-se caso se verifique uma nova subida do preço do cobre, mantendo-se como uma ameaça latente à segurança e funcionamento de infraestruturas essenciais no país. [JPM].







