O Terras de Basto, em contexto de final dos mandatos autárquicos, decidiu propor aos líderes municipais da sua incidência regional uma entrevista que permitisse uma espécie de balanço e de prospetiva eleitoral. Considerou que o modelo mais adequado às circunstâncias, para obter respostas fundamentadas, era o da entrevista fechada, remetida por escrito. Tal como deram conta as três edições imediatamente anteriores, com mais ou menos objetividade, três presidentes responderam afirmativamente a essa colaboração. Foram eles os sociais-democratas José Peixoto Lima (Celorico de Basto) e Bruno Ferreira (Mondim de Basto) e o socialista João Noronha (Ribeira de Pena). Contrariamente a esta disponibilidade – que, penhoradamente, agradecemos –, o presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto, o socialista Francisco Teixeira Alves, mandou dizer agora, através do seu gabinete, que «não está disponível para responder às questões formuladas». Para que o leitor saiba do que estamos a falar, decidiu a direção do jornal tornar públicas as questões a que o autarca cabeceirense preferiu não responder.
João Paulo Mesquita, diretor (CP8809)
1 — Este não tem sido um mandato fácil, pois não? Se lhe foi fácil garantir a governação em minoria, com o total apoio dos dois vereadores do movimento “IPC”, acabou por ser um mandato… quezilento. Não acha?
2 – Para além disso, que balanço faz da sua governação nestes últimos quatro anos? Foi um bom mandato?
3 — Falemos de coisas concretas… Várias vezes ouvimos o líder da oposição dar-lhe os parabéns pelo abatimento à dívida municipal. Acha que ele faz isso por satisfação própria ao verificar a “poupança” que o Senhor consegue ou, antes, por verificar que, se prefere abater à dívida, é porque não faz obra e que os cabeceirenses lhe vão cobrar isso nas eleições?
4 — Como estão, efetivamente, as contas do município? Qual é o montante da dívida hoje?
5 – A propósito, qual é o tempo de pagamento a fornecedores?
6 — Passemos ao trabalho feito, começando pelo material. Que obra física vai ficar a marcar este mandato? E além dessa, que outras destaca?
7 — Os cabeceirenses dão conta amiúde do péssimo estado em que se encontra a rede viária interna… Dão conta do mau-estado de conservação de vários equipamentos, designadamente os desportivos. Acha que não têm razão?
8 — Este foi o mandato em que o município recebeu um conjunto de serviços transferidos da administração central, designadamente nas áreas da Saúde, da Ação Social, da Educação… Que balanço faz? Acha que funcionam melhor agora?
9 — Neste âmbito, quando vai fazer as obras de reabilitação dos centros de saúde? Que dinheiro lhe deu Lisboa para esse efeito?
10 — E o parque escolar, como está? Quais são as debilidades nesta área?
11 — A propósito, quando julga que vai estar resolvido o problema que mantém fechado há dois anos o Jardim de Infância de Olela, em Basto? O Senhor nunca quis explicar publicamente qual era o problema, remetendo culpas para a autoridade de saúde… Quer explicar agora? É ou não é um problema semelhante ao que fechou dois anos o Centro Comunitário de Cavez?
12 — Por falar em Cavez, é lá que se situa um dos grandes problemas que tem para resolver… Quando vai dizer aos cabeceirenses que a Pista Internacional de Pesca não terá mais condições para funcionar? O Senhor já foi dizendo que só irá funcionar uns meses… Mas, a verdade… Quando a vai contar aos munícipes?
13 — Outro problema que lhe tem dado água pelas barbas é o do prometido centro desportivo que deveria substituir o estádio municipal das Cerdeirinhas. Anunciou agora a intenção de reabilitar as atuais instalações, em ruína. Por que desistiu do centro desportivo que prometeu espalhafatosamente antes das eleições para este mandato?
14 — Por que não investiu mais cedo o 1,2 milhões de euros que destina a esta obra, evitando que tivesse chegado ao estado em que se encontra?
15 — Mudemos de assunto. Qua é a realidade do concelho no que respeita às redes básicas: abastecimento de água, saneamento, recolha de resíduos, recolha seletiva, eletricidade, gás natural, comunicações/fibra ótica?
16 — O Senhor, que até tem feito algum trabalho no plano imaterial, por exemplo no que respeita à valorização do património cultural, nunca sentiu vontade de encontrar dinheiro para um pólo cultural na vila-sede, que tivesse um auditório decente, por exemplo?
17 — Antecipando de alguma forma a sua campanha, é capaz de indicar duas ou três ideias que vai apresentar aos cabeceirenses para os próximos anos?
18 — A oposição insinua que, ao contratar este ano cerca de 100 novos funcionários para o município, está a procurar tirar dividendos eleitorais desse facto. É legítima essa desconfiança?
19 — Passemos para questões mais políticas… Por que afastou Joaquim Barreto das suas relações e, concomitantemente, do processo autárquico? Já estava farto de o aturar? Aquela história de não pagar as despesas do alojamento em Lisboa à delegação de Refojos foi apenas um álibi para se zangar com ele?…
20 — Por falar nisso, já mandou pagar ao hotel a hospedagem ou ainda está à espera de alguma coisa?
21 — O facto de não ter integrado o grupo partidário que foi convidar Joaquim Barreto para recandidato do PS à Assembleia Municipal – afinal, o rosto que sempre apareceu ao seu lado – enquadra-se no mesmo espírito das questões anteriores? A ideia era mesmo a de fazer tudo para o menorizar, para que tomasse a iniciativa de bater com a porta?…
22 — Última pergunta sobre este assunto: acha que vai conseguir ganhar as eleições deste ano sem Joaquim Barreto do seu lado? Melhor, com Joaquim Barreto zangado?
23 — Durante todo este mandato, foi possível confirmar o total alinhamento entre si e os vereadores do “IPC”. O Senhor gostava que regressassem ao PS? É capaz de me dizer se está a preparar um acordo eleitoral com o “IPC”? Ou vai preferir esperar pelos resultados eleitorais e avaliar então essa eventualidade?
24 — O Senhor e o seu vice-presidente, enquanto dirigentes do PS, exigiram ao partido um mandato em branco para elaborarem as listas autárquicas a vosso bel-prazer. Não acha que estão a perverter o processo democrático? Acha que o PS/Cabeceiras sai bem nessa fotografia?
25 — Vai manter os lugares cimeiros da lista socialista igual à das últimas autárquicas? Fernando Basto voltará a ser o seu vice-presidente? E a primeira mulher da lista continua a ser Carla Lousada?
26 — Que opinião tem do líder da oposição e candidato ao seu lugar, Manuel António Teixeira?
27 — Acha que Joaquim Barreto vai resistir mesmo à tentação de se candidatar contra si?
28 — Duas últimas questões: a primeira para lhe perguntar se não acha que o facto de ter nomeado a sua mulher diretora da “Basto Vida”, em que o município representa 80% do capital, lhe prejudica a independência e a respeitabilidade política? Para lá das questões legais, nunca viu nisso qualquer problema ético?
30 — A última é mesmo para lhe perguntar por que razão está a discriminar o Terras de Basto, passando dinheiro para outros dois jornais locais – um afeto ao PS e outro ao IPC – e negando apoio a este que é o jornal de maior expansão regional e maior expressão editorial? O que tem contra o Terras de Basto? Não se sente mal por ser o único que não apoia este projeto jornalístico independente?…