Sexta-feira, Abril 3, 2026
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«Agora, todos vão poder apreciar as Fisgas de Ermelo»

Bruno Ferreira, o presidente da Câmara de Mondim de Basto, apresenta publicamente a 19 de abril, com o secretário-de-Estado do Turismo, Pedro Machado, a plataforma de visitação das Fisgas de Ermelo, agora executada. Estamos perante um dos maiores ativos turísticos do concelho: precisamente as maiores cascatas da Europa. Ao Terras de Basto, o autarca fala da execução do projeto e das expectativas que deposita neste novo miradouro.

João Paulo Mesquita

P. Foram dois anos que demoraram esta obra… O que significa dois anos sem este importante atrativo. Foi mesmo só culpa da falência do empreiteiro?

R. A dificuldade de concretização começou logo com os pareceres necessários para avançar. O projeto foi visto e revisto várias vezes.  Não desistimos…

Tendo em conta a procura natural de visitantes ao miradouro, tínhamos a consciência da importância de criarmos condições de visitação em segurança, para evitar acidentes e, no caso de existirem, a responsabilidade não ficar órfã.

A plataforma parece simples, mas a sua execução foi complexa. A empreitada foi adjudicada através de um concurso público. Ganhou a empresa que apresentou o preço mais baixo. No decorrer da empreitada, a empresa iniciou um processo de insolvência. Além dos atrasos daí decorrentes, acresceu toda a burocracia e tempo para o processo de insolvência, para que o Município pudesse ter a legitimidade legal de assumir o contrato, tendo em conta a conclusão da obra.

Só depois do Município estar habilitado para dar sequência ao contrato, foi possível iniciar novos procedimentos de contratação. Esta situação, alheia à responsabilidade do Município, não foi por nós desejada, mas conseguimos, com perseverança, concluir a obra sem perder qualquer comparticipação comunitária.

P. Diz a oposição que o empreiteiro “só faliu mais de um ano depois do prazo inicial ter esgotado”… É verdade?

R. A oposição gostava de ter tido a capacidade de executar este projeto. Toda a intervenção foi complexa, desde a elaboração e aprovação do projeto, até ao arranque da obra. Esperava que houvesse por parte da oposição um reconhecimento dessa complexidade, até porque também tentou construir um miradouro, mas o seu projeto foi chumbado, não conseguindo a aprovação.

P. Faziam sentido as críticas que motivaram a polémica inicial? É ou não verdade que – apesar de autorizada pelas competentes entidades da tutela – não era necessário alterar tanto o ambiente natural para proporcionar a vista destas quedas de água?

R. Quem conhece o local sabe que era impossível criarmos condições de visitação em segurança sem o recurso a uma plataforma. Toda a intervenção foi realizada no estrito cumprimento das recomendações e limitações.

Gostávamos, por exemplo, de que a plataforma tivesse mais profundidade, mas tivemos de respeitar as condicionantes. O miradouro está integrado com a paisagem e vai certamente permitir, pela primeira vez a muitas pessoas, a possibilidade de vislumbrar a paisagem fantástica das Fisgas de Ermelo.

Com a conclusão deste miradouro, o Município fica com melhores condições para poder divulgar o local, pois passará a existir um local de visitação identificado com normas de utilização. Além disso, a partir de agora todos vão poder visitar as Fisgas de Ermelo.

P. Em fóruns e redes sociais houve quem classificasse o projeto como uma “aberração”, refletindo um desagrado eventualmente mais emocional com a ideia de que a estrutura pudesse desvirtuar a experiência natural do local … Acha que não tinha mesmo razão de ser este temor?

R. Confesso que não consegui perceber algumas críticas, principalmente quando a obra ainda estava em desenvolvimento. Nas redes sociais proliferam heróis do momento. Houve precipitação na análise, só justificada por uma agenda política que seguramente não é a do desenvolvimento do concelho. Compreendemos que possa haver crítica, discórdia e quem defenda que não se devia fazer nada. Mas essa não é a nossa forma de estar. A execução da obra deu-nos razão.

P. Foi uma obra bastante cara, não acha?

R. Não acho. Esta obra não foi um custo, foi um investimento. O valor da empreitada foi da ordem dos 235 mil euros e foi comparticipada em cerca de 70% pelo Turismo de Portugal. Este investimento terá um retorno económico notável, através do número de visitantes que vai atrair ao concelho, com impactos económicos diretos nos setores da restauração, alojamento e serviços.

P. Além da plataforma de visitação, que mais consubstancia esta intervenção? Já tinha criado o Centro de Interpretação … São equipamentos que se completam?

R. A abertura do Centro Interpretativo das Fisgas de Ermelo foi um marco importante para a promoção e valorização do Parque Natural do Alvão, da sua fauna, flora e geologia, das tradições e atividades económicas da comunidade que vive no parque, mas também dos pontos turísticos de todo o território do concelho.

O Centro Interpretativo recebeu cerca de 4.000 visitantes em 2025. A inauguração do novo miradouro será um complemento à oferta turística e trará certamente maior dinâmica ao CIF, com a visita de mais pessoas.

Em breve teremos mais um investimento junto a estes dois equipamentos. Está a decorrer o concurso público para a reabilitação do antigo Quartel do Fojo, com a construção do Parque da Biodiversidade do Alvão – “Living Lab” –, que no seu espaço físico vai criar condições para a realização de investigação científica e criar condições para a instalação de meios e recursos de prevenção e combate aos incêndios.

No espaço exterior, teremos um parque visitável, com ordenamento florestal, onde será possível encontrar os exemplares da flora característica do Parque. Estas três infraestruturas criarão no seu conjunto uma nova dinâmica de desenvolvimento no coração do Parque.

[LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO TERRAS DE BASTO DE 2 DE ABRIL DE 2026]

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