Segunda-feira, Março 2, 2026
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Bombeiros Cabeceirenses: «se houver atraso no socorro será da responsabilidade da câmara»

Os Bombeiros Cabeceirenses consideram «de elevada gravidade» e «com impacto direto na segurança e na celeridade do socorro à população» a decisão tomada sexta-feira (27), em deliberação da câmara municipal, de vir a ocupar com a feira semanal o espaço fronteiro ao seu quartel, habitualmente usado para manobra e parqueamento temporário das viaturas de socorro.

«Há décadas que a corporação utiliza o parque de estacionamento em causa como espaço operacional de apoio às viaturas, permitindo a saída rápida dos veículos em situações de emergência. Apesar de o terreno ser propriedade do Município, sempre foi utilizado pelos Bombeiros para fins operacionais», lembra em comunicado.

Na requalificação de 2019 do Campo do Seco – praça onde a câmara se propõe agora concentrar toda a feira semanal –, o espaço «foi sinalizado e fisicamente delimitado para apoio e uso exclusivo das viaturas operacionais» da corporação.

Ora, depois de ter tomado a decisão de assim reorganizar a feira, retirando-a da Praça Arcipreste Almeida Barreto, a presidência da câmara promoveu a 23 de fevereiro uma sessão pública para anunciar a intenção e foi a partir dessa altura que os bombeiros dizem ter tomado conhecimento do propósito de «ocupar esse parque operacional com bancas destinadas à feira semanal».

«Importa esclarecer que não houve qualquer diálogo ou auscultação institucional prévia junto desta associação [humanitária] e que fomos confrontados com a decisão já tomada», dizem num extenso comunicado enviado ao Terras de Basto com o título “Câmara retira parque exterior aos Bombeiros”.

Em reunião que solicitou ao presidente da câmara, a direção da instituição diz ter-lhe sido transmitido, a 26 de fevereiro, «que a decisão seria para manter, sem possibilidade de não ocupação do espaço».

«No dia 27, tivemos conhecimento de que, em sede de reunião da câmara, foi aprovada a alteração da feira semanal, com a ocupação do parque operacional» em causa, esclarecem.

Bombeiros sempre colaboraram…

Neste comunicado, os bombeiros lembram que o executivo municipal completou recentemente 100 dias de mandato e que durante este período sempre se mantiveram disponíveis para colaborar com o município «em todas as matérias que entendessem pertinentes», «disponibilidade que foi publicamente manifestada em diversas ocasiões».

Mas, face ao exposto – sublinha – cabe à corporação «expor o impacto operacional» daquela decisão, que «compromete seriamente a capacidade de resposta dos bombeiros, colocando em causa a vida das pessoas».

E concretizam com «a saída de viaturas que se encontram na linha anterior, como o veículo urbano de incêndios ou o veículo de desencarceramento», que obriga a remover previamente 5 a 6 viaturas que se encontram à frente. «Sem o parque exterior, a operação de saída de emergência fica fortemente comprometida relativamente ao tempo de resposta», defendem.

Outro momento que invocam é «quando a sirene é acionada para situações de emergência», em que os bombeiros voluntários deixam de ter onde parar as suas viaturas para se equiparem e entrarem rapidamente nas oficiais».

Entre maio e outubro, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, altura dos incêndios florestais, – mediante esta limitação – o quartel deixa de poder receber veículos de reforço de outras corporações, comprometendo a logística e coordenação do combate ao fogo. «O quartel é o ponto de encontro para todas as corporações e entidades, como GNR, ICNF, Exército, etc», lembram.

Além de tudo o mais, o quartel dos Bombeiros Cabeceirenses já não tem capacidade para todas as viaturas, havendo três delas que ficam sem parqueamento porque não cabem no interior.

Pormenor relevante: neste parque exterior encontra-se instalada a única boca de incêndio que permite o abastecimento seguro das viaturas fora das vias de circulação.

De acordo com os bombeiros, estamos perante uma ocupação semanal e permanente, durante todo o ano, que nunca aconteceu, «nem durante a feira, nem durante as Festas Concelhias de São Miguel».

Lembra a corporação que a Proteção Civil – de que o presidente da câmara é a máxima autoridade no concelho – se rege pelos princípios de prevenção, precaução e prudência, ou seja, «qualquer decisão suscetível de afetar a capacidade de resposta dos agentes de socorro deve privilegiar sempre a minimização do risco».

«A ocupação de um espaço essencial à operacionalidade dos bombeiros, como é o caso, cria um risco evitável de atraso no socorro, contrariando esses princípios fundamentais», sublinha.

Acresce que, aos domingos e segundas-feiras, com a ocupação integral do espaço exterior, o quartel deixa de poder funcionar plenamente como ponto fulcral da Proteção Civil. «Em caso de situação excecional — como um apagão, evento extremo ou necessidade de ativação de um posto de comando — o quartel pode deixar de reunir condições para receber viaturas, coordenar meios e assegurar a logística necessária à resposta municipal», enfatiza.

«Caso se execute a implementação deste condicionamento operacional, qualquer atraso no socorro à população que venha a ocorrer desta decisão será da exclusiva responsabilidade deste executivo municipal e de quem aprovou a decisão», afirma a corporação de forma perentória.

«No socorro, cada minuto conta e, por vezes, um minuto pode significar uma vida; os Bombeiros Cabeceirenses reafirmam a sua total disponibilidade para um diálogo institucional sério e construtivo que permita encontrar soluções equilibradas, sempre colocando em primeiro lugar a segurança da população». JPM].

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