«Uma identidade gráfica pode parecer, à primeira vista, apenas uma questão de imagem; mas, na verdade, é muito mais do que um logotipo: é a forma como o município se apresenta, como comunica com clareza e como garante coerência em tudo aquilo que diz e faz, no papel, no espaço público e, cada vez mais, no digital». Foi assim que o presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto justificou, esta sexta-feira (9), a nova proposta gráfica da autarquia, da autoria do “designer” local Bruno Santos.
De acordo com Manuel António Teixeira – que falava numa sessão pública para o efeito, no auditório da Casa do Tempo, o trabalho gráfico é também uma forma de reforçar a confiança: «quando a comunicação institucional é clara, consistente e reconhecível, o cidadão identifica com mais facilidade o que é informação oficial e sente maior proximidade com a instituição».
Tal como o Terras de Basto havia antecipado, o zimbório da igreja do Mosteiro de Refojos – uma das características mais singulares e emblemáticas da arquitetura religiosa barroca portuguesa, particularmente no contexto beneditino – serve de base ao trabalho criativo, que passa a ser agora a imagem do município. Sendo usado gradualmente em todos os seus suportes.
“Cabeceiras de Basto – Perto do Coração” é, assim, a marca institucional que passa a estar associada a uma geometria gráfica derivada da imagem que o zimbório projeta para dentro do templo e que ganha contornos simbólicos de coração humano.
Este trabalho de “local branding” – explicado na circunstância pelo seu autor – foi desenvolvido em 2018 por encomenda do anterior executivo municipal, mas vicissitudes várias, designadamente um processo judicial em que estiveram envolvidos o próprio Bruno Santos e o anterior presidente da câmara, não chegou a ser implementado, apesar de pago.
«Se existia trabalho feito, com qualidade e potencial, fazia todo o sentido valorizá-lo, retomar o que estava bem construído e, ao mesmo tempo, garantir que respondia às necessidades atuais; foi por isso que contactámos o autor desta identidade gráfica», disse o autarca cabeceirense, agradecendo a Santos a disponibilidade para «algumas alterações de detalhe, decisivas para assegurar melhor aplicação, maior legibilidade e adaptação aos suportes».
Manuel António Teixeira aproveitou, entretanto, para justificar a marca “Município de Cabeceiras de Basto” que passou a ser usada desde a sua assunção do poder autárquico, uma escolha que – disse – «não é apenas formal, tem também um significado institucional». «Sendo a câmara municipal central na governação, a marca que comunicamos para dentro e para fora deve refletir uma dimensão mais ampla, agregadora e permanente: a do município», explicou.
«Uma identidade gráfica atual tem de funcionar bem em todos os contextos. Tem de ser legível num ofício e também num ecrã pequeno; tem de ter versões adequadas para diferentes fundos e suportes; e tem de evitar improvisos e variações que enfraquecem a imagem institucional. Modernizar, por isso, não é mudar por mudar. É reforçar coerência, clareza, eficiência, credibilidade e capacidade de projeção do nosso concelho», acrescentou.
E porque uma identidade gráfica «só é realmente eficaz quando existe rigor na sua aplicação», o autarca lembrou aos presentes que o executivo municipal havia já aprovado o respetivo manual de utilização, que define regras sobre as cores, tipografia, proporções, versões, aplicações em suportes digitais e impressos, garantindo que «todos os serviços dispõem de orientação para utilizar a marca com uniformidade e qualidade». «A marca não é para ser “interpretada”, é para ser cumprida», disse.
De acordo com Manuel António Teixeira, a implementação da nova identidade vai ser feita de forma faseada, «com bom senso na gestão de recursos», priorizando os suportes de maior visibilidade e de maior rotatividade, sobretudo no digital e na documentação institucional, avançando progressivamente para os restantes materiais e suportes físicos à medida que se justifique. «O objetivo é garantir coerência e impacto, sem desperdícios e sem ruturas desnecessárias», assumiu.
«Com esta nova identidade gráfica, pretendemos comunicar melhor com os cidadãos, afirmar uma imagem mais moderna e reconhecível, valorizar Cabeceiras de Basto e projetar o concelho com mais consistência junto de quem nos visita, de quem investe e de quem connosco trabalha. É um passo de modernização, mas também um passo de afirmação: do território, das pessoas e do que somos capazes de fazer com rigor e ambição», concluiu.










