Manuel Gonçalves, dirigente do PS/Cabeceiras de Basto, demitiu-se da direção da bancada socialista na Assembleia Municipal. Embora o próprio remeta o anúncio dessa decisão para uma reunião da comissão política concelhia a realizar esta quarta-feira (3), o Terras de Basto sabe que ela já foi dada a conhecer a alguns militantes que lhe são próximos, assim dando sequência ao anunciado durante um acesso “qui pro quo” em que esteve envolvido na última sessão deste órgão.
A demissão – foi possível apurar – prende-se com manifestas discordâncias relativamente a decisões da direção partidária concelhia, assumindo-se Manuel Gonçalves como um dos mais veementes contestatários da então liderança de Fernando Basto, a quem se viu obrigado a solicitar publicamente o agendamento de uma reunião plenária para analisar os resultados eleitorais de 12 de outubro.
O facto de Fernando Basto ter anunciado a demissão neste domingo à noite não é, por certo, alheio a esta e outras decisões que se têm registado no seio da concelhia socialista, designadamente a daquela que foi a cabeça-de-lista à Assembleia Municipal nas recentes eleições autárquicas, que anunciou sábado a sua retirada de todas as funções partidárias locais, bem assim como a da líder da Juventude Socialista, que se demitiu por intromissão da filha do presidente da concelhia do PS nos interesses da estrutura juvenil.
Quanto ao desaguisado em que Manuel Gonçalves esteve envolvido na sessão da Assembleia Municipal de quinta-feira, ele radica na indicação dos representantes deste órgão na Assembleia Intermunicipal do Ave e põe à evidência a tensão que se verifica entre os dirigentes socialistas.
Indicados os efetivos Guilherme Sousa e Isidro Ferreira (Coligação “Fazer Diferente”), Manuel Carneiro (PS) e Ramiro Marques (Movimento “Servir Cabeceiras”), bem como os suplentes Francisco Basto (CFD) e José Marques (MSC), irrompeu na sala a voz de Manuel Gonçalves, que, pegando nos papéis e no casaco, anunciava que algo estava mal e que exigia ver o “e-mail” enviado pelo PS ao presidente da Assembleia Municipal, isto quando esboçava já o abandono da sessão.
Como ninguém da direção partidária se manifestou interessado em explicar-lhe o que falhara no prévio compromisso de indicar Gonçalves como suplente, o social-democrata que preside ao plenário reivindicou para si o inusitado papel de conciliador socialista, interrompendo unilateralmente os trabalhos para «um minuto» a sós com o eleito do PS, que regressou à sala, mesmo assim, a pedir acesso ao “e-mail”.
E sem que nenhuma das partes o tenha verbalizado de forma audível, acabou por ser Sá Nogueira, o presidente da mesa, que agradeceu a Gonçalves o facto «de ter reconsiderado», a anunciar a inclusão deste membro da direção da bancada socialista como suplente para o efeito.
Confirmar-se-ia mais tarde que na origem do desaguisado estava o alegado esquecimento do presidente da concelhia socialista a indicar o nome do suplente, depois de indicar o efetivo… [JPM].






