Quarta-feira, Abril 1, 2026
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Cabeceiras: reestruturação orgânica tornou-se «negócio de mercearia»

Tornou-se «um negócio de mercearia» — a expressão é de um autarca local – a discussão em torno da proposta de reestruturação orgânica dos serviços municipais de Cabeceiras de Basto, cujo proponente – o presidente da câmara, Manuel Teixeira – garantiu já a aprovação do documento em sede de assembleia municipal.

O plenário municipal reúne-se extraordinariamente esta quinta-feira (2, 21h30) para discutir e votar o assunto, já aprovado em sede de executivo com a abstenção dos dois vereadores do movimento “Servir Cabeceiras” e os votos contrários dos dois representantes socialistas.

Para garantir a aprovação desta proposta de reestruturação orgânica pelo colégio municipal, o presidente da câmara envidou, entretanto, esforços junto de alguns presidentes de junta da oposição socialista e – segundo apurou o Terras de Basto – tem já do seu lado um número suficiente de votos que garante a sua passagem.

Neste contexto de «mercearia” – que até envolve nas «negociações» um dos prováveis diretores de departamento –, Manuel Teixeira precisa de garantir pelos menos 18 votos favoráveis na assembleia municipal.

De acordo com a informação recolhida por este jornal, o autarca social-democrata vai poder acrescentar aos 15 votos favoráveis da coligação “Fazer Diferente” e da autarquia de Riodouro, pelo menos a abstenção dos presidentes de junta socialistas de Abadim (Carlos Filipe Basto), Faia (Albino Magalhães) e São Nicolau (Teresa Pinto), o que lhe viabiliza a proposta.

Este assunto agitou particularmente uma reunião da concelhia socialista liderada por Carla Lousada, esta terça-feira (31) à noite, que levou mesmo ao anúncio de demissões na comissão política. A defesa do voto contra a proposta camarária foi feita de forma veemente pelo presidente da junta do Arco de Baúlhe/Vila Nune, Carlos Teixeira, e pelo líder da bancada no plenário municipal, Pedro Barroso.

Na discussão, foram particularmente castigados os autarcas de freguesia que deram sinais de poder vir a trocar o seu voto «por uma obra» ou «por pressão do chefe» na câmara, onde são funcionários ou têm familiares a trabalhar.

Já em sede de executivo municipal, o primeiro vereador do PS votou contra a proposta «quase obrigado» pelo coletivo, tendo em conta que se mantinha renitente em assumir o sentido de voto decidido pelo partido.

Neste contexto de negociações, perde peso o voto do movimento “Servir Cabeceiras”, do histórico Joaquim Barreto, que esta terça-feira esteve também reunido com o presidente da câmara, que assim cumpriu o compromisso assumido em sede de executivo a troco da viabilização dada pelos vereadores independentes.

Na discussão – foi possível saber –, nada de substancial ocorreu, tendo Manuel Teixeira gasto a hora e meia de conversação a tentar provar que não há custos financeiros significativos com a sua proposta de reestruturação, muito menos da ordem do meio milhão de euros, como o Terras de Basto já adiantou.

Considerando que a comitiva do “Servir Cabeceiras” – Joaquim Barreto, Pedro Sousa, Domingos Machado e Ramiro Marques – não considerou suficientes as explicações dadas, Teixeira deverá fazer-lhes chegar, até quinta-feira, mais informação, designadamente sobre quando estará concluída esta reestruturação e qual o custo final previsto.

Contrariamente à vontade de grande parte dos “militantes” que integram o “conselho consultivo” do movimento, a tendência de voto dos seus membros na assembleia municipal parece ser a repetição da abstenção, que muito surpreendeu as hostes de Joaquim Barreto. [JPM].

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